Nada

No mais profundo do ser
Está sua alma inatingível
Com sua consistência de nuvem
Em suas paredes de fumaça
E sua força de névoa
Não ser
Não estar
Apenas existir
Como algo inconsútil
Que não se rompe
Não se entrega
Não se deixa dobrar
Ali permanecer
No silêncio do nada
Entre as pregas do querer
No regaço do desejo
Do avental do amar
Até o final
Em busca do sentido
Achar o sentido no nada
Quando não restar mais 
Do que uma onda de quietude
E uma partida sem volta.