
Mês: julho 2022
Dia de poesia – Mia Couto – Poema da despedida

Não saberei nunca
dizer adeus
Afinal,
só os mortos sabem morrer
Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser
Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo
Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos
Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca
Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo.
(Imagem: banco de imagens Google)
Dia de poesia – Pippo Bunorrotri – El eco

En el eco
de un olvido,
circulan voces
que esconden emociones
de una tarde transcendente
donde los ojos
miraban un horizonte
sin fronteras
y las reflexiones
combinan
coherencia,
con felicidad,
en el suspiro
hurtado
a una alegría.
(Imagem: foto de Nelson O’Reilly Filho)
Tempestades

Dia calmo, brisa leve, céu azul
Um silêncio de paz e harmonia no ar
Natureza perfeita, mas não previsível
Subitamente a brisa se encorpa
Vem o vento e depois o vendaval
Nada mais está no lugar de origem
Tudo voa, tudo quebra, tudo se vai
Vêm os estrondos, vêm os raios
E cai a chuva. Torrencial.
Tudo escurece. Nada mais existe.
Amor calmo, paixão ardente, alegria
Um arrebatamento de felicidade no ar
Vida perfeita, mas não previsível.
Subitamente algo se rompe
Vem a separação e depois a distância
Tudo é pranto, tudo quebra, tudo se vai
Vêm o desespero, vêm a tristeza
Escorrem as lágrimas. Torrenciais.
Tudo escurece. Nada mais existe.
Dia de Poesia – Vinicius de Moraes – Ternura
Quando bate a saudade dolorida, quando a tristeza embaça o encanto, só nos resta o grande Poetinha…

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.
(Imagem – banco de imagens Google)
Sem rumo

Em tantas nuvens flutuei
Em tantos céus eu me vi
Universos paralelos
Noites sem estrelas
Naveguei em tantos mundos
Me perdi em tantos cosmos
Buscando, apenas, ser feliz
(Imagem: banco de imagens Google)