Dias de vento, tempos de pipas

Hora sagrada – largar as tarefas e ir para a rua soltar pipa

Ventos de agosto. Pipas no céu sem nuvens.

Alegria da meninada. Quem empinava melhor a linda pipa?

Quanto mais alto vai a pipa, maior o risco de perdê-la.

Quanto mais alto vai a pipa, mais perfeito seu feitio…

Rabiolas ao vento. Balé de cores. Papéis, colas e varetas…

Olhos encantados se voltam para o infinito, ainda puros dos humanos sofrimentos

Saudade da infância, dos irmãos, dos amigos…

(Imagem: pintura de Cândido Portinari – “Meninos soltando pipas” – banco de imagens Google)

Neblina

Por um momento ela o encarou
Como se ainda estivessem vivos
Viu o mesmo olhar, a mesma intensidade
Mas era tarde demais, o tempo deles se fora
Levantou-se em meio à névoa que se formara
E viu tudo sumir diante de si, se esvaindo na neblina
Agora já estavam definitivamente mortos
Morreram há muito tempo um para o outro
Na distância, na ausência, no abandono

(Imagem: banco de imagens Google)

Poesia da casa – Ventos de agosto

Pipas no ar, em um céu sem nuvens

Tom de azul, do mais profundo azul

Pleno inverno, as árvores se despem

E as folhas brincam e correm nas ruas

Ruidosamente em secas risadas.

O mundo descansa quase em plena paz

Acreditando no poder do vento

Em levar consigo toda tristeza

Em varrer o pó de todos amores

Em limpar da vida o que não fica

Em trazer de volta a chuva que falta.

Dando adeus ao passado, as árvores

Balançam os galhos agora sem ninhos

Os pássaros, em bandos já se foram

Aves de arribação, fugiram do frio;

Velhos amores também se foram

Deixando abertos os corações em sangue

Pulsando na espera de novas paixões.

Venta, agosto, venta, que é sua missão

Ventar limpando a terra e a vida,

Deixando limpos os caminhos e atalhos

Para tantas novas caminhadas,

Novos amores, novos sorrisos,

De mãos dadas pela vida afora

Seguindo o vento que a todos levará

Ao final que em algum ponto espera.

Redemoinhos de vento na terra

Luzes no céu, estrelas no nada

São os ventos do mês de agosto

Prenúncio de nova primavera

(Imagem: banco de imagens Google)

Dia de Poesia – Ana Alencar – Enquanto dormes

Enquanto dorme em meus braços
após horas de amor saciado
sinto-te tão meu
e te guardo num sonho acordado

Enquanto repousas seu cansaço
em um sono profundo enfim
o desejo do seu corpo
como um guerreiro depondo
suas armas entregues a mim.

(Imagem: banco de imagens Google)

Texto de Robert Desnos – La liberté ou l’amour

Et s’il faut te suivre jusqu’au gouffre, je te suivrai.

Tu n’es pas la passante, mais celle qui demeure.

La notion d’éternité est liée à mon amour pour toi.

Non, tu n’es pas la passante ni le pilote étrange qui guide l’aventurier à travers le dédale du désir.    

Tu m’as ouvert le pays même de la passion.

Je me perds dans ta pensée aussi sûrement que dans un désert.    

Tu n’es pas la passante, mais la perpétuelle amante.

(Imagem: Banco de imagens Google)

Poesia da casa – De volta

Quero tanto sua volta, e sonho...

Sonho que pode ser verdade:
Quando você batesse em minha porta,
e simplesmente me trouxesse você,
com que amor essa porta seria aberta,
com que paixão eu diria para você entrar!

Sonho com a felicidade
que seria ver você voltando
a alegria de saber de sua volta,
ver você se trazendo de volta para mim!

Um sonho que eu sonho acordada
e preenche toda minha alma de ilusão.

Mais que um sonho, um querer,
um desejo constante e obsessivo,
porque eu nunca desistirei de você
e esse meu querer há de trazer você de volta.

E nesse dia, você baterá de novo em minha porta
para, simplesmente, voltar para mim!

(Imagem: banco de imagens Google)