Luta cotidiana

Não importava a vontade.

Era preciso se levantar.

Não apenas se levantar, mas enfrentar mais um dia.

Teve uma crise de choro. Mais uma. Era recorrente. Era rotineiro no último ano.

Mas se levantou.

Sentiu que o corpo se levantava. Mas continuava ali deitada.

Olhou-se na cama, entrou no banho e decidiu enfrentar o dia e a vida.

Já arrumada, pronta para sair, foi até o armário, pegou uma caixinha e ali guardou a dor, o pranto e o amor ferido.

Olhou-se novamente na cama.

Foi até ali e pegou a alma sangrando, com todo cuidado e a colocou em outra caixinha dentro do armário.

Deu uma última conferida no espelho, para ver se no corpo estéril e desprezado estava tudo em ordem.

Ensaiou um sorriso para si mesma, treinando para enfrentar a humanidade diária.

E foi…

(Imagem: banco de imagens Google)