Ler

Por que ler?

Faço essa pergunta sempre a mim mesma. E são tantas as respostas, que aparentemente é uma pergunta sem resposta.

Não “aprendi” a ler no sentido técnico, ou melhor, ninguém me ensinou a ler. Simplesmente, eu sempre li.

Talvez já o soubesse ao nascer. Quando as pessoas perceberam, por volta de 4 a 5 anos, eu sabia ler. Simplesmente, eu lia.

Nunca fora à escola. Nunca me haviam ensinado alfabeto. Não sei como se alfabetiza uma criança. Apenas sabia ler. Mas não sabia escrever.

E lia.

Lia tudo. Lia muito.

Entrei na escola direto no primeiro ano primário, com sete anos completos. E dona Olga me ensinou a escrever. E eu tive o primeiro contato com uma biblioteca. A escola dividia biblioteca infantil de biblioteca juvenil. Eu podia frequentar, desde o primeiro ano, a biblioteca infantil.

Com nove anos já lera todos os livros dessa biblioteca. Consegui ser autorizada a frequentar (e, por consequência, ter acesso à retirada de livros) a biblioteca juvenil.

Até os treze anos já lera tudo dessa que me interessava, e, a partir dos onze anos, foi inaugurada uma biblioteca pública municipal na cidade onde morava, e lá passou a ser minha segunda casa.

Como eu amava aquele ambiente! Eram cartões e mais cartões (tínhamos uns cartõezinhos onde eram anotados a data da retirada e o código do livro e depois a data da devolução). Nessa época meu ideal era ser bibliotecária…

E continuo lendo. Vivendo em meio a muitos livros. Juntando meus livros existentes nas minhas várias casas, tenho, atualmente, mais de quatro mil exemplares.

Então respondo:

Leio, porque preciso ler. Leio porque ler me leva para outros mundos, para outras vidas, e faz esta mais suportável.

Leio, porque alguém se dedicou a escrever esperando exatamente que outro alguém lesse e visse o mundo pelos olhos do autor.

Leio porque minha alma precisa respirar para viver, e isso só acontece quando a leitura me leva para outra dimensão.

Leio porque quero saber. Quero saber o que o autor pensou, o que o personagem pensou. Porque o autor cria o personagem, mas este tem vida própria. Domina seu criador e impõe sua existência, numa simbiose surreal quase inexplicável.

Leio porque minha mente precisa viajar para onde nunca fui nem irei, a não ser através da leitura, da experiência de quem foi e viveu.

Leio, simplesmente, porque gosto. Porque é bom. É prazeroso.

Livros fazem companhia, trazem paz, desafiam o pensamento…

E, por fim, leio porque existem livros…

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