Pequena brisa

Pequena brisa que queria ser vento

Soprava forte, soprava alto

Mas nada conseguia derrubar

Nem as folhas das roseiras secas

Buscava toda a força dentro de si

Mas seu sopro, sem calor suficiente

Não bastava para torná-la vento

Então a pequena brisa entendeu

Que precisava crescer para ventar

E crescer implicava em se apaixonar

Amar, perder e então sofrer

Porque se não sofrer não vai crescer

E a pequena brisa, entristecida

Recolheu-se no abrigo da grota

E ali chorou por se sentir tão fraca

Ela, que queria ser tão grande

Chorou tanto que a grota umedeceu

Solidária também chorando a pequenez

Da gentil brisa que ali se abrigava

Dentro da grota úmida e triste

A pequena brisa não percebeu

O quanto crescia em seu sofrimento

Até explodir em si a necessidade

De se lançar no espaço inteiro

E então compreendeu, que finalmente

Era um forte vendaval, que tudo carregava

Transformara-se, assim, no vento que sonhava ser.

Um comentário em “Pequena brisa

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