Dia de Poesia – Cora Coralina – Assim eu vejo a vida

Melhores Poemas. Confira o Top 10!

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

Poesia da casa – Oração à poesia

L'écriture sensorielle : créer sa vie par le ressenti | Spa Eastman

Que a poesia esteja entre nós em todos os momentos

E venha até nós em cada dia que se inicia

Entre em nossa casa e dela faça sua eterna morada

Seja o som do canto do pássaro no alvorecer

Esteja entre as folhas das árvores onde o vento em brincar

Se mostre no azul do céu e nas nuvens de algodão

E na cor de cada pétala de flor que se abre nas manhãs

Esquente a Terra desde o amanhecer como se fosse o sol

E fulgure depois do anoitecer junto com o claro luar

Seja a bebida em cada copo que se ergue para um brinde

Apareça no brilho dos olhos dos apaixonados

E possa amainar a dor no coração dos abandonados

Adoce a lágrima dos que choram por amor

Acalme o coração dos que sofrem por desesperança

Venha em palavras para ajudar os que querem se declarar

Cole as mãos dos que seguem juntos pela vida

Vele o sono e filtre os sonhos de todos que adormecem

Cure as feridas nas almas lanhadas pela tristeza

Seja a música que leva alegria aos que amam

E traga o canto na voz dos alegram a existência

Nunca falte nas noites frias, chuvosas e solitárias

Que a poesia desça sobre nós e permaneça para sempre.

Amém.

Chegando o verão…

A imagem pode conter: céu, árvore, piscina, nuvem e atividades ao ar livre

Estamos a menos de uma semana do verão. A estação mais esperada do ano em terras tropicais.

Tempo de calor, sol, sorvete, férias, praia, esportes e paixões.

Pelo menos era assim antes dessa maldita peste chinesa que teima em atrapalhar, tira tudo da ordem em que sempre esteve, dispõe da nossa realidade e aniquila nossos sonhos.

O verão não sabe ser discreto. Não sabe chegar de mansinho, quando todos estão preparados para sua entrada. O verão é estrondoso. Chega arrebentando. Invade os últimos dias da primavera, trazendo tempestades terríveis, grandes chuvas, vendavais, granizo e tudo o que acha que tem direito.

E a doce primavera, que resiste esperando sua data de saída – o solstício de verão – se vê empurrada para fora do palco, entre raios e trovões.

Até a noite tem medo de começar no verão. Os dias ficam mais compridos, adentram no horário noturno, sendo o dia 22 de dezembro o mais longo do ano – será que têm direito à hora extra? E a noite, tão linda, tão querida, se encolhe e quase não vem…

A imagem pode conter: planta, céu, árvore, flor, atividades ao ar livre e natureza

Assim é nosso “verão austral”, originado do latim veranu – de ver, veris – que vai durar até o equinócio de outono.

Talvez, das quatro estações do ano, seja o verão aquela que tem o nome mais áspero, menos melodioso, menos poético.

Hoje tivemos temporais notórios. E muitos, muitos raios. Depois da primeira tempestade, no meio da tarde, com direito a céu escuro durante o dia, quando pensamos que anoiteceria, uma estranha luminosidade tomou conta do céu. E não anoiteceu.

A imagem pode conter: planta, árvore e atividades ao ar livre

Até começar a segunda tempestade.

Que não quer passar.

Coisas de verão…

(Fotos tiradas nesta data – 15.12.2020, às 18h50)

Poesia da casa – Alma

Close-up de Ferreiro forjando machado na oficina — fogo, moinho de martelo  - Stock Photo | #178849132

Tecida em fina renda, do mais delicado fio

A trama de minha alma suporta esses abalos

Magicamente ela resiste, não se rompe

Enfrenta tantas amarguras, tantas desventuras

E se vai deixando lapidar a cada tormento

Alma lapidada, foi forjada a ferro e fogo

No amor, no sofrer, na paixão, na desilusão

E segue, impávida, sem se deixar dominar

A alma bruta não é formosa nem é gentil,

Tal como a pedra original, que não tem fulgor

Ou ainda as brancas nuvens, disformes e sem graça

Por isso é preciso sofrer, transformar, lapidar

Aparar as arestas,  e eliminar as sobras,

Encontrar a forma perfeita para então polir

Quando então surge a alma bela e afetuosa

Como as mãos hábeis do lapidador que encontra

As melhores facetas da pedra e a transforma

Trazendo o mais belo e fulguroso diamante

O céu recoberto de nuvens amontoadas

Que escondem o sol, a lua e as estrelas

Quando, em silêncio vem o vento carinhoso

Lapidando as nuvens com cuidado e com capricho

Desnudando um céu recortado ou estrelado

Mostrando a beleza e o esplendor do infinito

Também minha alma, tão carente e tão sofrida

Se torceu na dor, no desespero, na saudade

E se tornou melhor, açoitada em sofrimento

Ela – essa alma lapidada – é tudo o que hoje

Eu tenho a ofertar, junto desse amor infindo.

Poesia da casa – Do que é feita a saudade?

Menina Mulher &Mulher Menina: Coração De Cristal...
   
 A saudade é feita de pequenos retalhos
 De momentos felizes já passados e vividos
 De beijos antigos ainda tão lembrados
 De mãos que não nos tocaram, mas desejamos.
  
  
 A saudade é feita de variados cacos
 De recordações de olhos que nos viram
 De tantas vozes que já não mais ouvimos
 De muitos carinhos que agora já não temos
  
  
 A saudade é feita de tantas lembranças
 De pessoas que não ficaram em nossa vida
 De algumas paixões ardentes que já esfriaram
  
  
 A saudade é feita de todos esses pedaços 
 De nossa alma que ficaram pelos caminhos
 E agora, recolhidos, estão guardados no coração. 
(08.12.2019)

Normal
0

21

false
false
false

PT-BR
X-NONE
X-NONE

/* Style Definitions */
table.MsoNormalTable
{mso-style-name:”Tabela normal”;
mso-tstyle-rowband-size:0;
mso-tstyle-colband-size:0;
mso-style-noshow:yes;
mso-style-priority:99;
mso-style-parent:””;
mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;
mso-para-margin-top:0cm;
mso-para-margin-right:0cm;
mso-para-margin-bottom:8.0pt;
mso-para-margin-left:0cm;
line-height:107%;
mso-pagination:widow-orphan;
font-size:11.0pt;
font-family:”Calibri”,sans-serif;
mso-ascii-font-family:Calibri;
mso-ascii-theme-font:minor-latin;
mso-hansi-font-family:Calibri;
mso-hansi-theme-font:minor-latin;
mso-bidi-font-family:”Times New Roman”;
mso-bidi-theme-font:minor-bidi;
mso-fareast-language:EN-US;}

A
saudade é feita de pequenos retalhos

De
momentos felizes já passados e vividos

De
beijos antigos ainda tão lembrados

De
mãos que não nos tocaram, mas desejamos.

 

 

A
saudade é feita de variados cacos

De
recordações de olhos que nos viram

De
tantas vozes que já não mais ouvimos

De
muitos carinhos que agora já não temos

 

 

A
saudade é feita de tantas lembranças

De
pessoas que não ficaram em nossa vida

De
algumas paixões ardentes que já esfriaram

 

 

A
saudade é feita de todos esses pedaços 

De
nossa alma que ficaram pelos caminhos

E
agora, recolhidos, estão guardados no coração.

Centenário de Clarice Lispector

Hoje se completam cem anos de seu nascimento. Ela nos deixou foi em 1977. Mas nunca partiu, porque é imortal. Sua arte é eterna.

Amar os outros é a única salvação individual que conheço:

Ninguém estará perdido se der amor

E às vezes receber amor em troca.

Para escrever o aprendizado

É a própria vida se vivendo em nós

E ao redor de nós.

Amar eu posso

Até a hora de morrer.

Amar não acaba.

Na hora de morrer eu queria ter

Uma pessoa amada por mim ao meu lado

Para segurar a mão.

(Clarice LispectorAs palavras. Rio de Janeiro: Rocco, 2013, p. 257)

E, ainda:

Uma prece…
Clarice Lispector

“… alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha,  faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e  no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém.

[Clarice Lispector em “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres”, Editora Rocco, página 56]