A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
A vida tem duas faces: Positiva e negativa O passado foi duro mas deixou o seu legado Saber viver é a grande sabedoria Que eu possa dignificar Minha condição de mulher, Aceitar suas limitações E me fazer pedra de segurança dos valores que vão desmoronando. Nasci em tempos rudes Aceitei contradições lutas e pedras como lições de vida e delas me sirvo Aprendi a viver.
Estamos a menos de uma semana do verão. A estação mais esperada do ano em terras tropicais.
Tempo de calor, sol, sorvete, férias, praia, esportes e paixões.
Pelo menos era assim antes dessa maldita peste chinesa que teima em atrapalhar, tira tudo da ordem em que sempre esteve, dispõe da nossa realidade e aniquila nossos sonhos.
O verão não sabe ser discreto. Não sabe chegar de mansinho, quando todos estão preparados para sua entrada. O verão é estrondoso. Chega arrebentando. Invade os últimos dias da primavera, trazendo tempestades terríveis, grandes chuvas, vendavais, granizo e tudo o que acha que tem direito.
E a doce primavera, que resiste esperando sua data de saída – o solstício de verão – se vê empurrada para fora do palco, entre raios e trovões.
Até a noite tem medo de começar no verão. Os dias ficam mais compridos, adentram no horário noturno, sendo o dia 22 de dezembro o mais longo do ano – será que têm direito à hora extra? E a noite, tão linda, tão querida, se encolhe e quase não vem…
Assim é nosso “verão austral”, originado do latim veranu – de ver, veris – que vai durar até o equinócio de outono.
Talvez, das quatro estações do ano, seja o verão aquela que tem o nome mais áspero, menos melodioso, menos poético.
Hoje tivemos temporais notórios. E muitos, muitos raios. Depois da primeira tempestade, no meio da tarde, com direito a céu escuro durante o dia, quando pensamos que anoiteceria, uma estranha luminosidade tomou conta do céu. E não anoiteceu.
A saudade é feita de pequenos retalhosDe momentos felizes já passados e vividosDe beijos antigos ainda tão lembradosDe mãos que não nos tocaram, mas desejamos.A saudade é feita de variados cacosDe recordações de olhos que nos viramDe tantas vozes que já não mais ouvimosDe muitos carinhos que agora já não temosA saudade é feita de tantas lembrançasDe pessoas que não ficaram em nossa vidaDe algumas paixões ardentes que já esfriaramA saudade é feita de todos esses pedaços De nossa alma que ficaram pelos caminhosE agora, recolhidos, estão guardados no coração.(08.12.2019)
Hoje se completam cem anos de seu nascimento. Ela nos deixou foi em 1977. Mas nunca partiu, porque é imortal. Sua arte é eterna.
Amar os outros é a única salvação individual que conheço:
Ninguém estará perdido se der amor
E às vezes receber amor em troca.
Para escrever o aprendizado
É a própria vida se vivendo em nós
E ao redor de nós.
Amar eu posso
Até a hora de morrer.
Amar não acaba.
Na hora de morrer eu queria ter
Uma pessoa amada por mim ao meu lado
Para segurar a mão.
(Clarice Lispector. As palavras. Rio de Janeiro: Rocco, 2013, p. 257)
E, ainda:
Uma prece… Clarice Lispector
“… alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém.
[Clarice Lispector em “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres”, Editora Rocco, página 56]