É carnaval! (3)

Seguindo nosso carnaval dos “velhos carnavais”, hoje vou colocar duas músicas. Essas marchinhas seguiam o mesmo esquema: letra curta, com muitas repetições, e um ritmo intenso, o que as “grudava” na cabeça. Era impossível não cantar junto. Era impossível não sair dançando…

Se você fosse sincera
Ô, ô, ô, ô, Aurora
Veja só que bom que era
Ô, ô, ô, ô, Aurora
Se você fosse sincera
Ô, ô, ô, ô, Aurora
Veja só que bom que era
Ô, ô, ô, ô, Aurora
Um lindo apartamento
Com porteiro e elevador
E ar refrigerado
Para os dias de calor
Madame antes do nome
Você teria agora
Ô, ô, ô, ô, Aurora

Chegou a turma do funil
Todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto
Ai, ai ninguém dorme no ponto
Nós é que bebemos e eles que ficam tontos
Chegou a turma do funil
Todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto
Ai, ai ninguém dorme no ponto
Nós é que bebemos e eles que ficam tontos
Eu bebo sem compromisso
Com meu dinheiro, ninguém tem nada com isso
Aonde houver garrafa, aonde houver barril
Presente está a turma do funil

É carnaval! (2)

Hoje, sem dúvida, foi um ótimo sábado de carnaval. Podia ser para sempre assim.

Ouvi de muitas pessoas que este é o melhor carnaval dos últimos vinte anos…

Mas, para aqueles que sentem saudades dos velhos carnavais e que sabem o que é o triângulo Pierrot, Colombina e Arlequin, aqui vai uma recordação:

Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

A colombina entrou num butiquim
Bebeu, bebeu, saiu assim, assim
Dizendo: pierrô cacete
Vai tomar sorvete com o arlequim

Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

Um grande amor tem sempre um triste fim
Com o pierrô aconteceu assim
Levando esse grande chute
Foi tomar vermute com amendoim

Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

Um grande amor tem sempre um triste fim
Com o pierrô aconteceu assim
Levando esse grande chute
Foi tomar vermute com amendoim

A colombina entrou num butiquim
Bebeu, bebeu, saiu assim, assim
Dizendo: pierrô cacete
Vai tomar sorvete com o arlequim

Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

(Nota: Em oposição à pomposa e de linguagem quase inacessível Commedia Erudita, surgiu a popular Commedia dell’Arte, estilo teatral de sátira social. O triângulo amoroso Pierrot-Colombina-Arlequim agradou e se popularizou, compondo o núcleo dos empregados, sendo que Pierrot é apaixonado por Colombina, que ama Arlequim, o qual tem uma certa queda pela Colombina. Essa marchinha de carnaval também caiu no agrado popular no Brasil, tornando-se um “clássico” dos velhos carnavais.)

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É carnaval!

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Aproveitando a maravilha do cancelamento da baderna nojenta daquilo que se tornou o carnaval, vou publicar, por cinco dias, até na chamada “terça-feira gorda” marchinhas de carnaval – ritmo que marcou a vida de mais de uma geração.

Hoje, primeiro dia, começo com Chico Buarque, na magistral Noite dos mascarados, cantado em parceria com a inesquecível Elis Regina… confete, serpentina, máscaras NOS OLHOS e lança-perfume. Ao som de uma velha marchinha. Isso é carnaval!

Quem é você?
Adivinha se gosta de mim
Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim
Quem é você?, diga logo
Que eu quero saber o seu jogo
Que eu quero morrer no seu bloco
Que eu quero me arder no seu fogo
Eu sou seresteiro, poeta e cantor
O meu tempo inteiro só penso no amor
Eu tenho um pandeiro
Só quero um violão
Eu nado em dinheiro
Não tenho um tostão
Fui porta-estandarte, não sei mais dançar
Eu, modéstia à parte, nasci para sambar
Eu sou tão menina
Meu tempo passou
Eu sou Colombina
Eu sou Pierrot
Mas é Carnaval, não me diga mais quem é você
Amanhã tudo volta ao normal
Deixa a festa acabar
Deixa o barco correr
Deixa o dia raiar
Que hoje eu sou da maneira
Que você quiser
O que você pedir, eu lhe dou
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser

Dia de poesia – Chico Buarque de Holanda – Eu te amo

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

Poesia da casa – Um ponto de luz

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 Você existe e eu existo.
 Isso me basta.
 Mantém em mim acesa essa chama
 Da paixão e do desejo.
 A distância é indiferente
 Em algum lugar do cosmo
 Dois pontos de luz
 se aproximam e se cruzam
 Por um momento se tocam
 E se tornam um único ponto
 No momento sublime
 Desse encontro impossível
 Em respeito o sol se recolhe
 E no escuro da noite
 Quando a lua aparece
 E cheia de ciúme tenta
 Encobrir aquele encontro
 Ilumina-se com a luz desse ponto
 Instante em que a natureza emudece
 Deslumbrada pela luz intensa
 Que emana de tanta paixão
 Enquanto a distância desaparece 

Memória – texto publicado há DOIS anos

Da morte

Dans l’Histoire des temps la vie n’est qu’une ivresse, la Verité c’est la Mort.(Lous-Ferdinand Céline)

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Não sou muito de pensar em morte, mas às vezes essa idéia vem e martela… 

Será que se percebe a aproximação da morte, ou só se encara a morte quando não tem mais jeito, quando ela realmente intercepta nossa trajetória por aqui? 

O que será que Jesus pensava enquanto caminhava rumo a seu calvário? Quando andei por lá, sentindo a emoção de pisar as mesmas pedras que meu Deus pisou, olhava para o chão do caminho entre o local do julgamento e da crucificação e essa idéia me martelava: o que Jesus pensava, será que ele realmente sabia da vida, da morte e da vida depois da morte? 

E quem morre de acidente, será que dá tempo de ver a morte chegar? Quem fica preso em um carro que cai no mar, que demora a morrer e não pode se salvar, o que será que pensa? 

Os passageiros dos aviões que caem – quase sempre à noite, em locais ermos, escuro total – será que eles vêem que já estão de frente para o além, que não voltarão mais ao mundo onde viviam até então? 

As vítimas que morrem baleadas, em assaltos, em homicídios, em tiroteios que não participam, o tempo que leva entre o tiro, a entrada da bala e a perda da consciência – será que dá tempo para pensar em alguma coisa? 

E os suicidas? O que eles pensam depois que dão início à execução da própria morte, será que se arrependem, mas já é tarde demais para voltar atrás? 

Estranha a morte, não se encaixa em nada do mundo dos viventes…

(Imagem: banco de imagens Google)