Texto de Angela Caboz – Confissões

Há coisas que são difíceis de esquecer e tu és uma delas.
Não existem feridas vazias!
O que nos deixa mágoas e causa dores está preenchido de recordações difíceis de apagar. São aquelas lembranças com o cheiro de uma ausência anunciada que nos deixa a alma revoltada.
Esperar-te pode causar em mim emoções diferentes!
Posso esperar-te com o desejo de te tocar, de te abraçar, de sentir que serás meu até que a eternidade se instale entre nós. Desejar que sejas meu enquanto voas livremente nas asas de uma paixão que nos faça querermos acabar com as horas que se mostram demasiado aborrecidas quando te espero.
Esperar-te também pode ser o avesso do meu sentimento.
Pode ser o rosto do sofrimento. Ficar aqui sentada olhando o infinito sabendo que espero pelo nada.
Espero-te sabendo que não voltas, que nunca terei de volta o sabor do beijo que ficou esquecido na minha boca. Espero-te sabendo que jamais me irei arrepiar com aquele abraço quente que só tu me sabias dar.
Esperar-te é tudo isso. É caminhar entre a ilusão e a realidade. Ver o teu sorriso malicioso e imaginar o teu corpo que não deixa de aparecer nos meus sonhos.
Esperar-te é treinar o esquecimento, ou então, acalmar a ansiedade.
Esperar-te é ver a cortina a dançar nos braços do vento e ir a correr para me certificar se serás tu que estás a chegar. É voltar para a cama vazia e pegar no livro das recordações começando a rasgar as tuas lembranças que não deixam dormir.
Esperar-te é conter a respiração esperando que sejas a minha única salvação quando me faltar o ar. Soprar para dentro a desilusão de saber que não vais voltar.
Esperar-te é tudo o que me restou depois do teu adeus, por isso se me cruzasse contigo agora ficaria sem palavras.

(Imagem: banco de imagem Google)

Um frágil coração

Pego, com todo cuidado, meu coração
Tão pequeno por fora, cabe na minha mão;
tão grande em amor, nele cabe o mundo
Repousa, quieto, na palma da minha mão.
enquanto quentes lágrimas de saudade 
escorrem de meus olhos pelo meu rosto tão frio.
Toco, com todo carinho, esse frágil coração:
Vermelho, sangrando, machucado
E vejo, dentro dele, nesse momento
Sua imagem amada, e sinto saudade
Ela é tudo o que de você restou em mim...

(Imagem: banco de imagens Google)

Do céu

Quando o cansaço da vida a venceu
Não conseguiu continuar.
Deitou-se e pediu ao céu
Que tivesse misericórdia.
O céu, gentilmente, a cobriu
Com uma chuva de pétalas
Devolvendo com tanto carinho
As tantas flores que oferecera em vida
E então sentiu o frescor
Das gotas que o céu lhe enviava
Devolvendo com todo cuidado
As tantas lágrimas que derramara em vida
Não mais suportando toda a dor
Fechou os olhos, e, docemente, partiu

(Imagem: banco de imagens Google)

Templo sagrado (Memória, 2.9.20)

Quando chegar e quiser entrar
nesse templo que é tão sagrado,
primeiro acalme seus pensamentos,
controle sua respiração,
vista a alma de muita paz e
pense que pisará neste solo
onde poucos já pisaram.
Tire os calçados e a vaidade,
entre sozinho, em paz total.
Não olhe as paredes ao redor
nem pergunte quem lá já esteve,
apenas entre. Como em prece
saudando quem hoje ali habita
sinta-se acolhido no amor;
respire ali toda a ternura,
toda essa profunda emoção.
Deixe todo o peso de fora,
amargura e insatisfação.
Entre com olhos de amante,
coração leve, passos calmos.
Não se apresse nem o afobe:
ele tem seu próprio ritmo.
Pode chorar toda sua dor
porque nunca mais ela doerá.
Solte-se, relaxe as defesas.
Ali você estará seguro
como em nenhum outro lugar,
e ouvirá em benção: “bem-vindo”.
Entre, se aconchegue e fique aqui.
Você estará neste templo sagrado
dentro do peito onde é tão amado.
Aqui é o meu coração:
A sua nova morada.

(Imagem: banco de imagens Google)

Texto de Antonio Feijó


Todos os teus passos
Pequenos que sejam
Gestos teus seguem um só caminho
Um só sentido
Lugar aonde te sentes em paz
Te sentes amada
Aconchegada e segura de ti mesma.
Onde teu coração
todo o teu ser pertence
Adormeces e repousas
Tudo de ti se entrega
E sentes o calor sentido dos meus sentidos que te recebe
Sorri
Abraça e não larga.

(Imagem: banco de imagens Google)