Dia de poesia – Gustavo Alejandro Castiñeiras – Diz-me, por favor

Diz-me por favor onde não estás
em qual lugar posso não te ver,
onde posso dormir sem te lembrar
e onde relembrar sem que me doa.

Diz-me por favor onde posso caminhar
sem encontrar as tuas pegadas,
onde posso correr sem que te veja
e onde descansar com a minha tristeza.

Diz-me por favor qual é o céu
que não tem o calor do teu olhar
e qual é o sol que tem luz apenas
e não a sensação de que me chamas.

Diz-me por favor qual é o lugar
em que não deixaste a tua presença.
Diz-me por favor onde no meu travesseiro
não tem escondida uma lembrança tua.

Diz-me por favor qual é a noite
em que não virás velar meus sonhos.
Que não posso viver porque te espero
e não posso morrer porque te amo.
(Imagem: banco de imagens Google)

Dias de outubro

… e assim chegou mais um outubro…

Promessa de renascimento, primavera, entre furacões naturais e políticos, afetivos e amorosos… mais um outubro

Quantos outubros já vivemos?  Quantos ainda teremos?

Ideia recorrente da partida iminente…

Mês de tantos aniversários… dos que estão aqui e dos que já partiram…

Por que nos lembramos – e muitas vezes até mesmo celebramos – o aniversário de quem já partiu? Que sentido há nesse ato?

Homenagem?

Saudade?

Aqueles que amamos e já morreram, chamados pelo Pai? Devemos celebrar sua data natalícia aqui na Terra? Se deixaram a vida terrena e, seja lá por qual motivo, nos deixaram?

E, pior ainda, aqueles que morreram dentro de nós, mas continuam vivos nesse plano?

Como celebrar o aniversário daqueles que morreram – ou matamos – dentro de nós, aqueles que nos deixaram voluntaria e cruelmente?

Na verdade, por que comemorar aniversários? Que sentido há nisso? Sorrir e festejar por estar oficialmente envelhecendo, a cada dia mais perto da morte?

Muitas vezes longe das pessoas amadas, dos familiares, cercados apenas por interesseiros e desavergonhados?

Mesmo que estejamos em família, que sentido em celebrar algo que aconteceu há tantas década?

Venha, outubro, com suas chuvas, furacões, tempestades tropicais e mudanças.

Com seus aniversários, dos mortos, dos vivos e dos mortos-vivos.

Com suas flores de outubro, com seus feriados e comemorações.

E passe logo.

Que novos tempos virão…

(Imagem: banco de imagens Google)

(Imagem: banco de imagens Google)