Da alegria

Hoje é domingo.

Mais – ou menos – um domingo na nossa vida.

Não importa, sendo mais ou sendo menos, temos de vivê-lo. Ou superá-lo. Enfrentá-lo. Com alegria.

Meu avô sempre destacou a alegria. Que devíamos por alegria em tudo o que fizéssemos.

Levei muito tempo para entender sua lição. Talvez só tenha absorvido completamente essas palavras depois de sua morte, em dos dias mais tristes que vivi, e que deixou um vazio imenso – onde mais tantas lições, tanta sensibilidade para falar sobre a vida, sobre a tristeza, sobre a superação, sobre tudo o que nos torna mais humanos?

Mas, sempre guiada em suas palavras, toquei minha vida nesses quase 35 anos órfã de meu avô  “… A casa de meu avô… Nunca pensei que ela acabasse! Tudo lá parecia impregnado de eternidade. Recife… Meu avô morto…”, escreveu Manuel Bandeira em Evocação de Recife. E a casa de meu avô também se foi, morta, ficou presa em um passado enroscado no peito e na saudade.

E comecei a pensar muito na palavra “alegria” que ele tanto usava.

E entendi, um dia, como em um flash, o que é a alegria. A alegria que devemos por até mesmo na tristeza que sentimos. A alegria que temos de ter sempre dentro da alma para conseguirmos superar tudo – até mesmo a depressão.

Porque alegria não é rir do palhaço no circo.

Alegria não é a felicidade de ver o nascimento de mais um filho/neto/sobrinho…

Alegria não é o abraço de amor pelo qual tanto ansiamos.

Alegria é o combustível da vida. É sentir que somos. Que podemos. Que conseguiremos.

Alegria é o ingrediente secreto que deve ser posto – com cautela e na dose certa – em cada ato de nossa vida.

Desde abrir os olhos pela manhã com a alegria de ter mais um dia, quanto a alegria de nos despedirmos de quem parte para sempre, pelo que esse alguém foi na nossa vida. A alegria de saber que esses nossos mortos viverão para sempre dentro de nós, com suas palavras, seus ensinamentos, o norte que sempre nos deram.

Alegria de ter um trabalho para executar e, fatigado, mas com alegria, no final do dia encerrar mais uma jornada, pelo que nos foi proporcionado.

Alegria pelos dons que recebemos. Alegria até mesmo na dor, na doença, no desespero, de saber que haverá um amanhã e que tudo isso passará.

Então, em mais – ou menos – um domingo de nossa vida, só desejo que todos tenhamos um dia com muita alegria.

Um comentário em “Da alegria

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