Dia de poesia – Roberto Ferrari – Loucura e paixão

O meu coração clama por você
E busca sempre o amor,
Na loucura de tua paixão.

As palavras me fogem,
Ficam pendentes de definição,
Pois na verdade elas não conseguem expressar, 
A linguagem do meu coração…

Vivo intensamente esta paixão,
Do amor maravilhoso,
Dos momentos de prazer,
E de nossa entrega incondicional.

A cada toque teu,
Sinto em meu coração,
O amor clamar pelos teus beijos,
Molhados de tanto querer,

A vontade que não tem fim,

De te amar por todo o sempre.


Assim sigo te amando,
e em tua alma encontro,

Refugio para meu amor,
E calma para minha loucura. 

 

Enfim te quero e te amo sempre,
E nesta loucura de viver e te amar,
É com você que quero partilhar,
Todo o sentido do nosso amor.

Dia de poesia – Adélia Prado – Com licença poética

Mulheres e Literatura. Mulheres e Literatura: verso e prosa

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

(As fotos que ilustram os posts são retiradas de bancos de imagem do google, salvo se a autoria estiver anotada na página)

Poesia da casa – Fé

Não deixe que morra em mim 
essa vontade de amar
Porque para o amor fomos feitos.
O amor é nossa essência
Nosso alimento e repouso.
Nem deixe que morra em mim
Essa paixão que me consome
Que é a razão de meu viver
E mantém viva a chama do amor
Que também nunca morra em mim
Essa tão imensa saudade
Que me sustenta e me arrasta
Põe-me de pé a cada queda
Motiva todo meu viver
E dá a certeza do futuro
Que eu processo como uma fé
Saudade de amar e ser amada
Mantém viva minha paixão
A marca perene do meu amor.

Dia de poesia – Vinicius de Moraes – A ausente

Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à ideia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro…
Amiga, última doçura
A tranquilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar…

Poesia da casa – Asas para voar

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Hoje quero voar sozinha...
Para voarmos juntos precisei
me desfazer de uma de minhas asas.
Mas agora irei só...
Quero ir a lugares aos quais você não iria
Voar sobre outros mares, conhecer outros lagos
Ver florestas e campos de terras tombadas,
Outros povos, outras realidades
Quero voltar a sentir as nuvens a meu redor
Ver do alto a beleza das curvas dos rios e
Viver de novo a liberdade do voo solo
Cansei de não mais voar alto
De nunca mais voar longe, sem destino
Preciso me sentir livre
Minhas raízes estão em suas mãos
Prometo voltar logo...
Mas, para que eu possa ir, eu peço:
Empreste-me sua asa!

Poesia da casa – Oração à Poesia

Que a poesia esteja entre nós em todos os momentos
E venha até nós em cada dia que se inicia
Entre em nossa casa e dela faça sua eterna morada
Seja o som do canto do pássaro no alvorecer
Esteja entre as folhas das árvores onde o vento vem brincar
Se mostre no azul do céu e nas nuvens de algodão
E na cor de cada pétala de flor que se abre nas manhãs
Esquente a Terra desde o amanhecer como se fosse o sol 
E fulgure depois do anoitecer junto com o claro luar 
Seja a bebida em cada copo que se ergue para um brinde 
Apareça no brilho dos olhos dos apaixonados 
E possa amainar a dor no coração dos abandonados 
Adoce a lágrima dos que choram por amor 
Acalme o coração dos que sofrem por desesperança 
Venha em palavras para ajudar os que querem se declarar 
Cole as mãos dos que seguem juntos pela vida 
Vele o sono e filtre os sonhos de todos que adormecem 
Cure as feridas nas almas lanhadas pela tristeza 
Seja a música que leva alegria aos que amam 
E traga o canto na voz dos alegram a existência 
Nunca falte nas noites frias, chuvosas e solitárias 
Que a poesia desça sobre nós e permaneça para sempre. 
Amém.