Memória – Relógio

Eu quero hoje um novo relógio,

diferente de todos os outros

que tenho ou que um dia já tive.

Um relógio com sábios ponteiros.

Que não venham apenas para mostrar

e marcar horas, minutos e segundos.

Mas ponteiros que marquem alegrias,

sorrisos e também os encantos.

Que marquem as horas mais felizes,

todos os minutos de espera

e os segundos de paixão ardente.

Quero um relógio que não me desperte

no meio de um sonho que quero sonhar.

Que deixe meu sono fluir quando estou

adormecida no aconchego do amor.

Quero esse relógio especial,

que me ajude a dormir e a sonhar.

Que apague todos os maus ruídos,

e me embale em suave melodia.

Relógio novo que me acorde para a vida,

sem ouro nem prata, apenas simples,

mas seja capaz de me abrir a janela

de um novo horizonte, um novo viver.

De Clarice Lispector – Como você me vê

Sou como você me vê… posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar…

suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato…

tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras, sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calma e perdoo logo.


Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre… Tenho felicidade o bastante para ser doce, dificuldades para ser forte, tristeza para ser humana e esperança suficiente para ser feliz.

Não me deem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.

Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração.

Não me façam ser quem não sou.

Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente.

Não sei amar pela metade.

Não sei viver de mentira.

Não sei voar de pés no chão.

Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre…

Sou uma filha da natureza: quero pegar, sentir, tocar, ser.


E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério.


Sou uma só… Sou um ser… a única verdade é que vivo.


Sinceramente, eu vivo.

Memória do blog – Há dois anos – Dia do abraço

Recebi, hoje, várias mensagens referentes ao “dia do abraço”.

Eu nem sabia que existia um dia do abraço. Sempre pensei que abraços fossem dados diariamente, gratuitamente, por prazer e com alegria.

Mas, descobri que há um “dia do abraço”…

Há pessoas que eu queria tanto abraçar e delas receber um abraço.

Mas aquele tipo de abraço que envolve, acarinha, aconchega, dá paz e vontade de nunca mais sair dali, de tão gostoso que é.

Pessoas que abraço sempre e gosto de abraçar.

Pessoas que nunca mais abracei, mas tenho muita saudade de abraçar e ser abraçada.

Aquele momento único dentro de um abraço, quando os corações se encontram e batem dentro do mesmo compasso, dizendo um ao outro: “ estou aqui, estou com você; pode contar comigo”.

Sempre achei que o abraço foi uma das maiores descobertas – ou invenções? – da humanidade. Nada é tão confortável quanto um abraço de verdade, dado com emoção.

Só uma coisa me preocupa: pode-se abraçar nos outros dias do ano, ou só hoje?

Dicionário emocional

ADEUS: quando o coração que parte deixa metade com quem fica

AMIGO: alguém que fica para ajudar quando todos já se foram

CIÚME: quando o coração fica apertado porque não confia em si mesmo

CARINHO: quando não encontramos nenhuma palavra para expressar que sentimos e deixamos que as mãos falem por nós      

LEALDADE: quando se prefere morrer a trair o outro

LÁGRIMA:  quando o coração pede aos olhos que falem por ele

MÁGOA: espinho que colocamos no coração e depois esquecemos de retirar

PESSIMISMO: quando perdemos a capacidade de ver em cores

SOLIDÃO – quando estamos cercados de pessoas mas o coração não vê ninguém por perto

(desconheço a autoria)