Início da SEMANA VINICIUS DE MORAES, que nesse ano de 2022 será através de uma seleção de sua músicas – Paixão, emoção, encanto… em homenagem ao dia 19 de outubro, data de nascimento do grande Poetinha
Mês: outubro 2022
Da série “Foi poeta, sonhou e amou na vida” – 02 – Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes, nascido Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 – Rio de Janeiro, 09 de julho de 1980) foi um poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata, cantor e compositor brasileiro.
Poeta essencialmente lírico, o que lhe renderia o apelido “Poetinha”, que lhe teria atribuído a Tom Jobim, notabilizou-se pelos seus sonetos. Conhecido como um boêmio inveterado, fumante e apreciador do uísque, era também conhecido por ser um grande conquistador. O Poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida e suas esposas foram, respectivamente: Beatriz Azevedo de Melo (mais conhecida como Tati de Moraes), Regina Pederneiras, Lila Bôscoli, Maria Lúcia Proença, Nelita de Abreu, Cristina Gurjão, Gessy Gesse, Marta Rodrigues Santamaria (a Martita) e Gilda de Queirós Mattoso.

Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. Ainda assim, sempre considerou que a poesia foi sua primeira e maior vocação, e que toda sua atividade artística deriva do fato de ser poeta. No campo musical, o Poetinha teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.
Vinicius de Moraes nasceu em 1913 no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro, filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário da Prefeitura, poeta e violinista amador, e Lydia Cruz de Moraes, pianista amadora. Vinícius é o segundo de quatro filhos, Lygia (1911), Laetitia (1916) e Helius (1918). Mudou-se com a família para o bairro de Botafogo em 1916, onde iniciou os seus estudos na Escola Primária Afrânio Peixoto. Desde então, já demonstrava interesse em escrever poesias. Em 1922, a sua mãe adoeceu e a família de Vinicius mudou-se para a Ilha do Governador, ele e sua irmã Lygia permanecendo com o avô, em Botafogo, para terminar o curso primário.
Vinicius de Moraes ingressou em 1924 no Colégio Santo Inácio, de padres jesuítas , onde passou a cantar no coral e começou a montar pequenas peças de teatro. Três anos mais tarde, tornou-se amigo dos irmãos Haroldo e Paulo Tapajós, com quem começou a fazer suas primeiras composições e a se apresentar em festas de amigos. Em 1929, concluiu o ginásio e no ano seguinte, ingressou na Faculdade de Direito do Catete, hoje Faculdade Nacional de Direito(UFRJ). Na chamada “Faculdade do Catete”, conheceu e tornou-se amigo do romancista Otávio de Faria, que o incentivou na vocação literária. Vinicius de Moraes graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1933.

Na madrugada de 9 de julho de 1980, Vinicius de Moraes começou a se sentir mal na banheira da casa onde morava, na Gávea, vindo a morrer pouco depois. O poeta passou o dia anterior com o parceiro e amigo Toquinho, com quem planejava os últimos detalhes do volume 2 do álbum “Arca de Noé”. Foi sepultado no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro.
(Fonte: Wikipedia)
(Fotos: banco de imagens Google)
E vem, aí, mais um dia 19 de outubro – Para Vinicius de Moraes

Todos os anos, inevitavelmente, temos um dia 19 de outubro no calendário.
Para se lembrar e relembrar, para se comemorar o aniversário natalício de um dos maiores poetas do século XX.
O nosso grande Poetinha, Vinicius de Moraes.
O homem que viveu sob o signo da paixão.
Fez do amor sua razão de viver.
E do encanto a sua musa.
Insuperável em seu romantismo, foi também compositor, cronista, dramaturgo e, até mesmo, por profissão, embaixador.
Sua arte é atemporal.
Ele é eterno, não apenas imortal. Ele foi intenso. Infinito.
Por isso, a partir de amanhã, no decorrer dessa semana, todos os posts serão em sua homenagem.
Meu ídolo maior.
Com ele aprendi a morrer de amor e viver de paixão.
(Imagem: banco de imagens Google)
À morte que nos espreita, a cada dia mais perto…
S’il faut mourir un jour
Je veux que tu sois là
Car c’est ton amour
Qui m’aidera à m’en aller vers l’au-delà
Alors je partirai,
Sans peur et sans regret
Et dans mon délire, je revivrai toute une vie de souvenirs
Pour traverser le miroir,
Je ne veux que ton regard
Pour mon voyage sans retour
Mourir auprès de mon amour
Et m’endormir sur ton sourire
Le temps qui nous poursuit
Ne peut nous séparer
Même après la vie
Nos joies passées vont nous unir à l’infini
Pour m’enfoncer dans la nuit
Et renoncer à la vie
Je veux dans tes bras qui m’entourent
Mourir auprès de mon amour
Et m’endormir sur ton sourire
Pour traverser le miroir
Je ne veux que ton regard
Pour mon voyage sans retour
Mourir auprès de mon amour
Et m’endormir sur ton sourire.
(Se é preciso morrer um dia / Eu quero
que você esteja ali
Porque é o teu amor / Que me ajudará a ir para o outro lado
Então eu partirei / Sem medo e sem lamentos,
E no meu delírio, eu reviverei um vida inteira nas lembranças
Para atravessar o espelho / Eu quero
apenas o seu olhar
Para minha viagem sem volta / morrer perto do meu amor
E adormecer no seu sorriso
O tempo que nos persegue / não nos pode separar
Mesmo depois da vida / nossas alegrias passados nos unirão no infinito
Para mergulhar na noite / e desistir da vida
Eu quero que seja dentro de seus braços me cercando / morrer ao lado do meu amor
E adormecer no seu sorriso
Para atravessar o espelho / eu quero apenas o seu olhar
Para minha viagem sem volta / morrer ao
lado do meu amor
E adormecer no seu sorriso)
Luta cotidiana

Não importava a vontade.
Era preciso se levantar.
Não apenas se levantar, mas enfrentar mais um dia.
Teve uma crise de choro. Mais uma. Era recorrente. Era rotineiro no último ano.
Mas se levantou.
Sentiu que o corpo se levantava. Mas continuava ali deitada.
Olhou-se na cama, entrou no banho e decidiu enfrentar o dia e a vida.
Já arrumada, pronta para sair, foi até o armário, pegou uma caixinha e ali guardou a dor, o pranto e o amor ferido.
Olhou-se novamente na cama.
Foi até ali e pegou a alma sangrando, com todo cuidado e a colocou em outra caixinha dentro do armário.
Deu uma última conferida no espelho, para ver se no corpo estéril e desprezado estava tudo em ordem.
Ensaiou um sorriso para si mesma, treinando para enfrentar a humanidade diária.
E foi…
(Imagem: banco de imagens Google)
Dia de poesia – Vinicius de Moraes – Soneto da Quarta-feira de cinzas

Por seres quem me foste, grave e pura Em tão doce surpresa conquistada Por seres uma branca criatura De uma brancura de manhã raiada Por seres de uma rara formosura Malgrado a vida dura e atormentada Por seres mais que a simples aventura E menos que a constante namorada Porque te vi nascer de mim sozinha Como a noturna flor desabrochada A uma fala de amor, talvez perjura Por não te possuir, tendo-te minha Por só quereres tudo, e eu dar-te nada Hei de lembrar-te sempre com ternura. - Rio, 1941 -
(Imagem: banco de imagens Google)