Evolução

Aqui estamos, no – 10º – décimo dia do novo ano. Que já começa a amadurecer.

Acabou a profusão de abraços de tamanduá, sorrisos amarelos e votos falsos de felicidade.

Todos, agora, nas filas dos bancos pagando ipva, iptu, e outros iii.

A abundância agora é de boletos e contas a pagar.

E sobra muito mês no fim dos salários.

Mas insistimos. Temos carros, casas, um monte de coisas absolutamente dispensáveis mas não nos imaginamos vivendo sem elas… e paga-se caro para ter.

Ter. O verbo dominante desde os anos 80.

A ordem do dia é ter coisas. Possuir pessoas. Amar somente as coisas.

E, a partir dessa mesma época, iniciou-se a cultura do descartável.

Desde absorventes e fraldas até utensílios de cozinha.

De repente, estendemos a utilidade dos descartáveis para as pessoas.

Esposas, em especial, se tornaram totalmente descartáveis na segunda metade do século passado. Depois maridos. E agora até filhos.

Com um diferencial – antes eram abandonados e agora são simplesmente assassinados.

Aberta, assim, há uns vinte anos, a temporada de caça às mulheres.

Mas, em razão das ideias de igualdade entre os sexos, as mulheres também matam. Nem vou entrar na teoria lombrosiana porque discordo de suas conclusões, fruto de ideias e não de vivência.

Não há intenção de se assassinar somente familiares.

Hoje em dia há uma desesperada tentativa de se eliminar definitivamente a família tradicional da sociedade.

Estamos vivendo em um mundo virado do lado do avesso e as pessoas estão se acostumando com o avesso da vida. E aceitam. E toleram. E morrem.

Resta uma indagação, somente: “o que ainda está por vir?”