Dia da mulher – Mulher é bicho esquisito

 

Resultado de imagem para mulher arrumada

Dai-me, Senhor, a perseverança das ondas do mar, que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avanço. (Gabriela Mistral)

Mulher é bicho esquisito… já dizia a musiquinha antiga!

Mas que é esquisito, isso é mesmo.

Nas relações pessoais – familiares, afetivas, de amizade; nas relações profissionais, e, principalmente, nas relações consigo mesma. Aí a coisa ferve.

A mulher não se veste, se enfeita. E para quem? Na verdade, para si mesma. Ainda que ela tenha a necessidade da aprovação de outras mulheres, no fundo ela quer a própria aprovação. E quanto mais exigente e auto-crítica ela é, mais difícil essa aprovação.

Da hora em que sai da cama para escovar os dentes até dar início ao dia precisa de muito tempo.

A começar do banho: primeiro limpa a pele do rosto, examina minuciosamente a pele do rosto, as sobrancelhas, tira os excessos com a pinça, escova bem os cabelos, lixa as unhas e aí entra no banho.

Sabonete facial, sabonete corporal, esponja para as pernas, escova para as costas, pedra para os pés, fora as várias fases da lavagem dos cabelos.

Quando consegue sair do banho e se enxugar, começa a sessão dos mil-cremes e do indispensável nem-pensar-em-esquecer perfume.

E toma secador, e toma fixador e faz a maquiagem básica do dia-a-dia. Pronto, lá se foi mais de uma hora.

Chega a hora mais temida: de frente para o espelho, tem início o tira-e-põe de roupas. Uma está larga, a outra apertada, esta-a-cor-não-está-mais-usando, aquela-eu-já-usei-na-semana-passada….. quando a montanha de roupa tirada soterra a cama e a poltrona, pega qualquer uma, porque já está atrasada mesmo, veste correndo, dá uma olhadinha para ver se nada está marcando, coloca uns enfeitinhos, brinco, anel etc., escolhe uma bolsa e sapatos combinando e sai.

[aqui um parêntesis para uma lenda da necessidade da mulher fazer tudo isso: No início só existiam flores. Muitas, lindas, coloridas, perfumadas.

Mas – toda lenda tem um mas – algumas flores se revoltaram porque ficavam presas às raízes e foram questionar o Criador, querendo liberdade. Aí foi feito um trato: em troca do perfume elas poderiam se soltar. Aceitaram. E surgiram as borboletas: lindas, coloridas – sem perfume – mas

que podiam ir e voltar livremente, mas nunca se esqueceram das irmãs e por esse motivo sempre ficam rodeando as flores.

Mas – o segundo mas da lenda – um grupo delas não ficou satisfeito. Foram ao Criador questioná-lo o porque de serem tão pequenas, queriam ser criaturas grandes, mais visíveis. Em troca das cores, aceitaram o acordo e surgiu a mulher – grande, sem cor e sem perfume.

Por isso as mulheres se vestem e se enfeitam com cores e usam perfumes para lembrarem as flores que foram um dia.]

Pouco se importa se os homens a observam ou não, mas está preocupadíssima com o que vai pensar a amiga que a espera para o almoço ou a colega da mesa ao lado.

E vai com aquela cara de casual, de quem se levantou da cama correndo, pegou qualquer coisinha do armário e saiu sem se preocupar com a aparência.

Mulher é assim mesmo, esquisita.