Caiu na rede é público

Si ces pensées ne plaisent à personne, elles pourront n’être que mauvaises; mais je les tiens pour détestables si elles plaisent à tout le monde (Diderot)

 

Todas as vezes que abro minha página do facebook vem a pergunta “No que você está pensando?”.

Penso um pouco “No que eu estou pensando”. Aí vou realizar o que estou pensando e abandono o computador, porque, na verdade, não estava pensando no facebook, e sempre tenho várias outras coisas para fazer.

Se, por acaso, nada tenho para fazer e tenho tempo para passear um pouco pela internet, vou direto ao que me interessa, seja conversar com alguém, seja pesquisar algo…

E fico pensando se alguém escreve realmente “No que é que está pensando” naquele espaço do facebook.

Porque não acho que exista uma única pessoa interessada em saber exatamente “No que alguém está pensando”, mesmo porque presumo que poucas pessoas que estão brincando na internet tenham o hábito de pensar.

E, se por acaso, alguém está pensando alguma coisa, porque esse pensamento iria interessar a todas as pessoas que entram na rede?

Se eu colocar lá o que estou pensando e o que eu estou pensando for ofensivo para alguém, como ficamos? Jogo a culpa nas costas do facebook que perguntou “No que você está pensando?” e eu só me limitei a responder para o facebook, ou a responsabilidade é minha porque deveria saber que caiu na rede é público e todos veriam no que eu estava pensando…

Nesses tempos bicudos do politicamente correto, mais do que nunca vale a máxima “falar é prata e calar é ouro”. Quanto menos nos expressarmos melhor, porque tudo pode ser distorcido e dar ensejo a pedido de indenização por danos morais, o que está atualmente na última moda em terras tupiniquins.

Aliás, até pensar está meio perigoso com todo esse patrulhamento ideológico…

Por isso, decidi que quando entro na rede, a melhor política é ignorar completamente a tentativa de fofoca do facebook e nunca, nunca mesmo, sob nenhum pretexto, colocar ali o que estou realmente pensando…