Herói de verdade

Escrevi esse texto em 27 de março de 2011, quando testemunhei todo o desenrolar da ação. Conversei com o nadador que salvou o garoto, enquanto esperávamos o resgate. Ele foi levado, exausto e ferido, para o hospital. Vi que os verdadeiros heróis são anônimos. Mas com um senso de humanidade e solidariedade acima da média. 

 

Ilha Pompeba, Guaruja | Ou Ilha do Tony, em homenagem a surf… | Flickr

Caminhava na linha do mar esta manhã quando foram ouvidos gritos de socorro. Todos que estão na praia param, para tentar avistar quem pede ajuda, e logo se vê um garoto que pede socorro, sendo arrastado pela correnteza, para os lados da ilha Pompeba. 

Não há guarda-vidas por perto, estamos na baixa estação, o pessoal extra já foi dispensado. Começa o ajuntamento de pessoas, que entre apavoradas e fascinadas assistem o mar levando o garoto. Será que pensam que isso é filme holliwoodiano e que no fim tudo sempre acaba bem? 

Um banhista começa a nadar em direção ao garoto. Não dá para ver se o alcançou. Ambos somem atrás das altas ondas. Em mais ou menos um minuto a um minuto e meio, alguns guarda-vidas chegam correndo, entram no mar, vão para o local onde por vezes apontam que os dois sumiram. 

De repente parece que ambos estão quase na ilha. Lugar muito perigoso. O mar hoje está bem agitado. Claríssimo, verdíssimo, ondas de espuma muito branca, mas com uma correnteza forte, puxando bastante.

 Cinco guarda-vidas munidos de boias estão próximos dos dois – o banhista não soltou o garoto – e tentam tirá-los da correnteza com auxílio ainda de dois anjos surfistas com suas pranchas. Naquele local há umas armadilhas – você não tem como sair do lugar, a correnteza impede qualquer tentativa de se distanciar da ilha ou ir em direção à praia. Há três ou quatro semanas assisti, aqui de minha sacada, a retirada de uma garota morta, encontrada pelos mergulhadores – vinte anos de idade, viera passar o final de semana aqui com o namorado. Não viveu para voltar para casa. 

Finalmente chega o bote – sei que não demoraram, mas o desespero de ver a luta inútil do banhista que segura o garoto, dois surfistas com suas pranchas e cinco guarda-vidas com suas boias faz parecer que se passou muito mais tempo. 

O bote dá duas ou três voltas, consegue vencer marola e onda altas, passa dos que tentam salvar e finalmente se aproxima dos dois. 

Habilmente são içados para o interior seguro do bote, que vêm para a praia e os traz em segurança. Vivos. 

O garoto está bem, um pouco assustado. O herói anônimo que não hesitou em se lançar contra a correnteza para impedir que o mar levasse o incauto banhista, traz as costas feridas, os braços lanhados, de onde o sangue escorre e as mãos cheias de espinhos – para impedir que o menino fosse lançado contra as pedras da ilha, segurava-o de lado e com a outra mão tentava se afastar das pedras – com pontas e espinhos, que o feriam a cada tentativa – mas não impediram que mantivesse o garoto junto de si até serem salvos. 

Emocionante a atitude deste nadador – não conhecia o menino, apenas afirmou que ao ouvir os gritos de socorro e avistar o garoto sendo arrastado, não parou para pensar no perigo, mas lançou-se em sua direção, para mantê-lo na tona até que o socorro viesse. 

Sem dúvida, um ser humano de primeira linha. Que Deus o abençoe!

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