Texto de Marco Antonio Ferreira Lima

Se tiver vontade de amar: ame.

Se sentir saudade: reveja, faça, aja!

Haja? Ah! Já?

Se quiser beijar: beije.

Os fragmentos de vontade trazem ecos perdidos na vida, já efêmera desde sua formação.

O tempo nunca aplaca o amor. Talvez na sua crueldade só o aumente.

Com a força de fazer doer.

Aflora a saudade, a vontade do beijo, o conforto do abraço…

Tempestade. Já foi desejo de chuva.

Vapor já foi apenas água que se perdeu no ar.

Semente fez flor.

A leveza da vida foi par do amor.

Monossílabo da dor. Composições curtas.

Frases tolas, sem sentido.

Por isso acho que amo.

Ridículo ao expor um coração cantado por uma nota só.

Cortado e dissecado.

Iludido.

Perdido.

Deixo o coração gritar.

Seu pulso não é o suficiente.

O verbo que já se disse intransitivo, é duro, difícil. Mas seu tempero, equilíbrio não.

Que para as favas vá a razão.

Prefiro amar, sem o juízo da simples paixão.

Vejo, distante, o chão …

Texto de Bibiana Benites

Há uma porção de coisas minhas que são difíceis de serem contadas…
Há uma porção de coisas em processo de cicatrização…
Há uma porção de sonhos que foram atropelados pelas circunstâncias do tempo…
Há uma porção de sentimentos entreabertos que esperam a hora certa de virarem fim…
Há uma porção de mim em tudo o que eu escrevo, que eu leio, no outro…
Há uma porção de coisas minhas que ninguém entenderia…
(nem eu mesma)
Passei por coisas que ninguém imagina, já fui ingênua e imatura, mas hoje sei entrar e sair de qualquer situação, tudo que vier contra mim, vai bater de frente comigo mais forte do que nunca…
Minhas antigas versões honrariam quem me tornei…
Cai menina, levantei MULHER…

(Imagem: Pinterest)

(in)Competência em tempos modernos

Aparentemente a burrice veio para ficar, instalada nos cérebros humanos como se fosse um programa de computador – que, principalmente aqueles que mais o utilizam, enchem a boca para dizer “software”.

A cada dia que passa, as relações humanas – principalmente no campo das relações comerciais, se tornam mais difíceis.

A internet – computador, celular, redes sociais etc., só demonstra o encolhimento da massa cinzenta correspondente ao cérebro dos seres humanos.

Chego no caixa da padaria. Ele me dá a conta: “R$ 18,10”. Pego uma nota de R$ 20,00 e uma moeda de R$ 0,10 e tento pagar.

De imediato ele devolve a moeda. E pergunta: “Tem trocado?”, respondo “Não.”

A pessoa olha para a nota, olha para a tela, pega uma calculadora, liga, mexe, mexe e pergunta: “Tem dez centavos?”

Eu pego de volta a mesma moeda que foi devolvida e coloco na mão da criatura, que a pega novamente, e pega também a nota de vinte reais, liga de novo a calculadora para ver qual o troco

Vou a uma loja de material de iluminação procurar uma peça para reposição. Escolho uma dourada e pergunto para a criatura que grudou nas minhas panturrilhas desde que pisei no show room:

“Tem de outra cor, que não seja dourado?

“Tem.”

“Quais cores você tem?

“Que cor a senhora quer?

“Prateado.”

“Não tem.”

“E quais as outras cores que você tem?

Ele, com toda a pompa, vai até uma mesa, mexe no computador, olha atentamente para a tela e responde:

“Tem ouro, cobre, prata, branco, preto e vermelho.

“OK, quero prata.”

“De que material?”

“Do que tiver.”

“Que cor?”

“Prata”

“De prata nós não fazemos”

“Pode ser de outro material que vocês fazem”

“De que cor?”

“Prata”

“Alumínio ou aço?”

“De qualquer material que tiver, desde que seja na cor prata.”

O cidadão, ainda imbuído de ostentação, abre um armário sob a mesa e pega algumas amostras – quadradinhos de uma liga com metal, de várias cores. Escolhe algumas e me mostra:

“Temos essas cores.”

Escolho uma amostra, na cor prata.

“Quero dessa cor.”

“Ah, a senhora quer escovado.”

“Escovado?”

“Sim, esta cor se chama escovado.”

“OK, então eu quero escovado” (E nem tinha essa cor no rol que ele leu duas vezes no computador).

“Mas a senhora não queria prateado?”

“Tem prateado?”

“Não.”

“Tudo bem, se não tem prateado, levo o escovado.”

“De que cor?”

É muito para mim. Desisto. Chega. Vim embora sem comprar nada…

(Imagem: banco de imagens Google)