Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve… – mas só esse eu não farei. Uma palavra caída das montanhas dos instantes desmancha todos os mares e une as terras mais distantes… – palavra que não direi. Para que tu me adivinhes, entre os ventos taciturnos, apago meus pensamentos, ponho vestidos noturnos, – que amargamente inventei. E, enquanto não me descobres, os mundos vão navegando nos ares certos do tempo, até não se sabe quando… – e um dia me acabarei.
Mês: setembro 2022
Texto de Ângela Caboz – Não penses que mudei
Não penses que mudei!
Tu partiste e eu continuo igual a mim mesma.
Chorei, sim é verdade que chorei. Afinal como bem sabes não sou feita de mentiras, portanto, chorei pelo amor verdadeiro que me corria nas veias e que acelerava o meu coração. Chorei rios de desilusão, litros de revolta e também soltei do meu coração algumas toneladas de sofrimento.
Libertei tudo isso silenciosamente. Limpei cuidadosamente a ferida que fizeste e foi com muita força que a curei, para que não restassem vestígios de ti na minha nova vida.
Mas tudo isso não me fez mudar! Continuo igual.
Sou a mulher que te conquistou, a mesma que te amou. Aquela mulher sofrida que não teme o futuro. A que vem de um passado duro e coberta de marcas que lhe ficaram tatuadas no corpo. Sou a mulher que poucos saberão amar por não terem essa capacidade de compreender as virtudes de uma mulher com passado. Talvez não seja fácil abraçar alguém que tem feridas com nome e que não desiste de sua própria identidade e por isso não quiseste ficar a meu lado. Não tiveste força para amar tudo o que sou.
Continuo a acreditar no amor e sei que sempre será ele a comandar a minha vida, por mais que amar me vá deixando marcas que nunca se irão apagar.
Não mudei, apenas aprendi a dar distância a quem não me procura. A não sorrir para quem se afastou. E em tudo isso tu poupaste-me o trabalho quando partiste por vontade própria, dessa forma não tive que te riscar da minha vida com quem quer corrigir um erro de percurso.
Sou a mulher que se veste todos os dias dela mesma, sem ter medo de continuar na estrada da vida.
Texto de Martha Medeiros

Não peço que tire os sapatos, ao entrar na minha casa.
Ou seria minha vida? Entenda como quiser.
Peço que tire a máscara e a armadura.
Pode deixar ali naquele cantinho, devolvo na saída. Prometo.
E não me venha com silêncios ou imobilidades.
Nada de recuos ou fugas.
Apenas entregue-se.
Aqui, o durante, é que importa.
O antes e o depois você resolve lá fora, cadeira do analista, bar com amigos, tanto faz.
Aceite as falhas, engula a pressa.
E não me peça para escutar as coisas que você não diz. Não leio mentes, não faço jogos.
Me aceita, me abraça e me recebe. Deixa alguma marca, cria alguma história.
Sou uma mistura de aço e gelo.
Adicione um pouco de vodka.
E sirva-se.
(Imagem: banco de imagens Google)
Perdão (Memória)
“Te perdoo por me amares demais” (Chico Buarque)

Fala comigo! Me acalenta. Me permite cometer erros gramaticais, seja em nome da licença poética ou do meu amor por você. Me permite chorar alto, te chamar Me permite te perdoar Me permite te permitir ser minha. Por não ter entrado na sua vida antes, te peço perdão. Me perdoa por não me perdoar. (desconheço a autoria)
(Imagem colhida em banco de imagem Google)
Dia de poesia – Hoeppner Dutra – Melancolia

Minha alma respira espúmeos devaneios
do sal convulso que a tempestade dissipou.
Minha alma silencia sonhos alados
que a garoa doce e meiga afagou.
Minha alma andeja pelas doidas madrugadas
libando cismas nas neblinas fugidias.
Minha alma palmilha insônias perdidas
que o luar em ardente enlace lobrigou.
Minha alma é um punhado de tédio e de cal
Espargido em noites tristes de solidão.
(Imagem: banco de imagens Google)
Quando…

Quando nossos ventres, unidos,
nos tornam apenas um,
em um encontro de amor
Quando você vem e eu o recebo,
num abraço de paixão e acolhimento
Quando as estrelas tocam o chão
e a lua, discreta, se esconde
fazendo a noite mais escura,
é o momento infinito
em que eu mais e mais amo você
(Imagem: foto de Maria Alice)