Deixem-me envelhecer

Trago hoje esse texto que recebi durante a semana. Acho que vale a pena ser lido, e, até mesmo, guardado para ser relido.

 

                                       DEIXEM-ME  ENVELHECER

 

 

Deixem-me envelhecer sem compromissos e cobranças

Sem a obrigação de parecer jovem e ser bonita para alguém

Quero ao meu lado quem me entenda e me ame como eu sou

Um amor para dividirmos tropeços desta nossa última jornada

Quero envelhecer com dignidade, com sabedoria e esperança

Amar minha vida, agradecer pelos dias que ainda me restam

Eu não quero perder meu tempo precioso com aventuras

Paixões perniciosas que nada acrescentam e nada valem.

 

Deixem-me envelhecer com sanidade e discernimento

Com a certeza que cumpri meus deveres e minha missão

Quero aproveitar essa paz merecida para descansar e refletir

Ter amigos para compartilharmos experiências, conhecimentos

Quero envelhecer sem temer as rugas e meus cabelos brancos

Sem frustrações, terminar a etapa final desta minha existência

Não quero me deixar levar por aparências e vaidades bobas

Nem me envolver com relações que vão me fazer infeliz.

 

Deixem-me envelhecer, aceitar a velhice com suas mazelas

Ter a certeza que minha luta não foi em vão: teve um sentido

Quero envelhecer sem temer a morte e ter medo da despedida

Acreditar que a velhice é o retorno de uma viagem, não é o fim

Não quero ser um exemplo, quero dar um sentido ao meu viver

Ter serenidade, um sono tranquilo e andar de cabeça erguida

Fazer somente o que eu gosto, com a sensação de liberdade

Quero saber envelhecer, ser uma velha consciente e feliz.

 

(Concita Weber, in O Topo da Montanha,

fevereiro de 2016, Berlim, Alemanha)