Dia de poesia – Espera

Sem energia elétrica em pleno século XXI – e sem nenhuma previsão de volta do fornecimento, só tenho o celular para postar.

Esse belíssimo poema é de Konstatin Simonov, poeta russo e correspondente de guerra.

 

Espera-me e eu voltarei,

mas espera-me muito.

Espera-me quando cair a neve

e chegarem as chuvas tristes,

quando chegar o calor,

não deixes de esperar.

Espera-me, quando já

ninguém esperar e se tiver

esquecido já o ontem.

Espera-me mesmo que as cartas

não cheguem de longe.

Espera-me quando todos

estiverem já fartos de esperar.

Espera-me e eu voltarei,

não ames – peço-te –

quem repetir de memória

que é tempo já de olvidar;

mesmo que mãe e filho julguem

que eu não existo mais.

Deixa que os amigos, ao lume,

se cansem de esperar e bebam

vinho amargo em memória de mim.

Espera-me e não

te apresses a beber com eles.

Espera-me e eu voltarei,

para que a morte se encha de raiva.

O que nunca me esquecer

dirá talvez de mim: coitado, teve sorte.

Jamais compreenderão

aqueles que jamais esperaram.

Tu é que me salvaste do fogo.

De como sobrevivi

saberemos tu e eu,

porque simplesmente me esperaste,

como ninguém me esperou.

(Konstantin Simonov)