Sem assunto e quase sem tempo

Há uma pequena estante de prateleiras de vidro na minha frente aqui no escritório. Toda delicadeza, guarda objetos que me são caros.

Um globo natalino musical “com neve” que cai sobre os bonequinhos, presente da Denise. Minha muito mais que querida Denise, sobrinha, afilhada, amiga, companheira.  A estatueta do “beijo na cerca”, que tanto encantava o Gustavo quando pequenino.

O gaúcho. Que dei de presente para meu avô. E, depois de sua morte, minha avó colocou nas minhas mãos dizendo que ele tanto se alegrara com esse presente, que sempre admirava a pose, a maneira de segurar o laço, e se lembrava de mim, então nada mais certo que eu levar essa mesma figura como lembrança do meu avô. Embora não precise de fotos nem estátuas nem nada para me lembrar quase diariamente de meu avô, hoje envolto em tanta saudade, mas aceitei e aqui está o gaúcho. Olho para ele e me recordo meu avô.

Minhas santas – Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora de Lourdes, que velam pelo meu trabalho.

Santo Antonio. Protetor do meu Antonio. São Francisco e seus passarinhos. Santo Padre Pio, com sua relíquia. Que me foi trazido de Roma na ocasião da canonização, pela querida Irmã Silvana, que teve a honra de conhecê-lo nos tempos de convento no sul da Itália.

Algumas corujinhas da minha coleção. Gosto muito de pássaros, fui criadora de canários, tive dezenas de pássaros cativos e soltos que eu alimentava e eles retribuíam permanecendo no meu quintal. Mas as corujas são minha paixão. E coleciono corujas, corujinhas, corujonas. Meus vários passaportes, vencidos, usados e reusados, alguns ainda cheio de vistos de entrada e carimbos dos serviços de imigração de tantos países. Antes da UE eram moedas e carimbos entrada/saída que trazíamos de todas as viagens.

Meu Pulcinello, que eu trouxe de Sorrento – não sou de fazer compras em viagens, mas me apaixonei pelo pequeno Pulcinello, ou Polichinelo, como o conhecemos por aqui e seu segredo mal guardado…

Vejo alguns livros, uma foto do Gustavo ainda menino… meus aparadores de livro com relógio e porta-canetas, de madeira, garimpado em uma feira da bondade (quem se lembra?) há quase quarenta anos…

E soberana, encimando tudo, minha raquete. A última raquete de tênis que usei, tão confortável, tão leve, tão amiga, mas que uma lesão no ombro tirou de minha mão. Ali, solitária, ela reina esperando em silêncio e com paciência o dia que voltaremos juntas ao saibro.