Os sinos da Sé

 

Lá no infinito azulado uma estrela formosa irradia /  A mensagem do meu passado quando o sino tange “Ave Maria”. (Erothides de Campos)                     

 

Com grata surpresa leio no jornal que os sinos da Sé – o imponente, fantástico e raro conjunto de 62 sinos – voltam a tocar depois de muitos anos de silêncio. 

Os mecanismos que os controlam, martelos internos e externos, toque por teclado remoto… a tecnologia aliada a um dos instrumentos de som mais primitivos da história do homem na Terra.

Segundo a Wikipedia, “Um sino é um dispositivo simples de produzir som. É um instrumento de percussão e um idiofone. A sua forma é aproximadamente um cone oco que ressoa ao ser golpeado.

O instrumento de percussão pode ser uma lingüeta suspensa dentro do sino, (também se usam os nomes “badalo” para a lingüeta interna, ou “martelo”, quando é uma peça que bate o sino por fora), de uma esfera pequena, livre, incluída dentro do corpo do sino, ou de um malho separado.

Os sinos são feitos geralmente de bronze, mas os sinos pequenos podem também ser feitos de cerâmica ou de vidro.

Os sinos podem ser de todos os tamanhos: dos acessórios minúsculos do vestido aos sinos da igreja que pesam toneladas. Um sino muito famoso é o Liberty Bell, que está em Filadélfia, nos EUA.

O maior sino já fundido em bronze é o Tsar Kolokol, exposto atualmente na praça principal de Moscovo, capital da Rússia.”

De acordo com a reportagem do jornal, “A Catedral já definiu as melodias programadas para brindar os fiéis: serão três sessões diárias de Ave Maria, tocadas às 6 horas, ao meio-dia e às 18 horas. Durará 1,5 minuto e poderá ser ouvida, segundo estimativa da Fundição Artística Paulistana, responsável pelo restauro, “ao menos até o fim da praça.”

Às 9 e às 15 horas, outras duas sessões de músicas religiosas serão realizadas – o repertório está sendo definido, mas deve contar com clássicos das missas, como Viva a Mãe de Deus e a Nossa, Coração Santo e Maria de Nazaré. Na primeira semana de funcionamento, por ser época de Natal, canções como Noite Feliz e Jingle Bells também estão previstas.

O som dos sinos representa a voz dos anjos chamando os fiéis para a igreja, lembrando-os da existência do Senhor. Por isso a importância de termos todo o carrilhão funcionando, em alto e bom som, disse o cura da Catedral da Sé, padre Walter Caldeira. O organista oficial da Catedral também poderá tocar sinfonias de sinos em um teclado, instalado no coro da igreja.”

Grande parte de minha infância teve suas horas marcadas pelos sinos da Igreja Matriz de São José, na cidade do interior em que morei.

Pelos sinos sabíamos as horas das missas, as mortes, as festas. E a hora da Ave Maria…

Subitamente, ao ler essa matéria no jornal, fui tomada por intensa vontade de ir a São Paulo, só para ouvir esses sinos, tocarem sabe-se lá por quem…

Mas com muita tristeza visualizo a decadência, a miséria humana que rodeia a majestosa Catedral da Sé e sei que não poderei deixar-me ficar simplesmente em algum banco daquela praça apenas para esperar ouvir os sinos tocarem… mas agora sei que eles tocam por nós, brasileiros sem segurança nem futuro num dos países mais violentos do mundo em tempo de paz.

Constato então que não temos mais praças neste país desnorteado. Contrariamente às grandes metrópoles, onde podemos ficar horas nas praças centrais apenas vendo a vida passar…

Mas qualquer dia desses passarei horas na Sé, com a alma em êxtase ao som de seus sinos. Que Deus então me proteja, porque apenas estarei atendendo ao chamado das vozes de seus anjos…

(16.12.2010)