Poeta

–  Onde você vai, poeta?

–   Vou buscar inspiração.

–  Para que, poeta?

–  Para escrever meus versos, não deixar a poesia morrer.

–  E onde tem inspiração para buscar?

–  Não sei. Vou procurar.

–  Procurar, onde?

–  Vou andar pelas ruas com olhos de criança, ver em cada pessoas um amigo, em cada lágrima uma tristeza, em cada mão um pedido.

Vou andar pela praia, ver em cada onda um grito, em cada gaivota uma fuga, cada pedra um descanso.

Vou subir a montanha, ver em cada árvore uma súplica, em cada monte um aviso, em cada regato um bálsamo.

Depois vou olhar para o céu, ver em cada nuvem um presságio, em cada pássaro uma paixão, em cada estrela um esplendor.

Se nada disso me inspirar, vou então buscar um amor, um amor de muita paixão, muita densidade e muita intensidade. E quando perder esse amor, o sofrimento que vou experimentar fatalmente me trará muita, muita inspiração. 

E assim o poeta se foi, não encontrou inspiração, nem amor… e sua poesia morreu.