É primavera!

Exatamente hoje, às 4h50, iniciou-se a primavera. A mais romântica estação do ano.

Por que hoje? Por que às 4h50? Quem marca esses dados? Algum instituto, onu, nasa, ongs? Não. O início da primavera é marcado pelo famoso desconhecido equinócio – definido como “momento em que o Sol, em seu movimento anual aparente, corta o equador celeste, fazendo com que o dia e a noite tenham igual duração.”

Ou seja, põe fim às longas noites do inverno.

Precisamos do inverno. A terra repousa, a temperatura cai, a natureza se recolhe. O sol – especialmente no hemisfério norte – já não é tão frequente. Mas, por mais que se aprecie o tempo do inverno, sem dúvida alguma também necessitamos que ele acabe e o calor volte, a terra renasça e a natureza se torne exuberante.

Esse o equilíbrio do clima. Esse é desenrolar natural da vida.

E então entramos na primavera. Com muitas promessas no ar – novas chuvas, novas safras, novas paixões. A vida renascendo em todos os sentidos.

E a poesia das flores e dos pássaros a enfeitar a natureza.

Ela não dura para sempre. Chega a seu fim, inexoravelmente, em 22 de dezembro, para dar lugar ao verão.

E quando acabará a doce primavera? No domingo, 22 de dezembro, à 1h19. Quando ocorrerá o solstício – “na astronomia, solstício é o momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador.”

Mas o mais romântico da primavera, na minha opinião, são os fenômenos que a delimitam: a primavera se inicia no equinócio da primavera e vai ate o solstício de verão.

Sua efêmera duração é de um equinócio até um solstício. Isso, por si só, é poesia.

Construindo a saudade

A saudade paira no ar como paina depois da florada. Cada um carrega em si suas próprias saudades. Mas o caminho para as possuir é igual para todos – temos de construir as memórias para então surgir a saudade.

Plantamos uma árvore e dela cuidamos com dedicação. Um dia ela amanhecerá florida inundando nossos olhos com tanta beleza. As flores cairão, mas na nossa mente, para sempre, ficará a lembrança da explosão de beleza que nossa árvore nos proporcionou.

Assim é a saudade. Ela só surge depois que fomos felizes. Depois que uma paixão explodiu no peito. Que um amor ardente foi vivido. Não há saudade do triste, do luto, da infelicidade. A saudade fica do que nos tocou no campo das emoções, como cordas de violinos, tirando os sons mais celestiais.

E ainda tem de haver distância. Não temos saudade do que nem de quem está próximo. Precisamos que um tempo se passe desde que tudo aconteceu para que surja a saudade. Precisamos que as pessoas amadas se afastem e se distanciem para então sentirmos saudade.

Feliz de quem tem saudade. Feliz de quem tem do que ter saudade.

Brincadeiras

Vamos conjugar o verbo amar

Eu te digo – eu te amo!

Você me responde – eu te amo!

Mas só no presente do indicativo

Não quero as falsas promessas do futuro

Nem as lágrimas do pretérito sempre imperfeito

 

Depois vamos brincar de abraçar

Eu abro meus braços e vou até você

Você abre seus braços e vem até mim

E nos encontramos no meio do caminho

Assim nos abraçamos fortemente

Em um abraço que não tem mais fim

 

Depois faremos o ritual de separar

Você me diz “eu te odeio” e então

Eu olho para você com olhos de desprezo

Não precisaremos inventar desculpas

Eu seguirei meu caminho solitário

E no sentido oposto você  partirá.

Não me chame outra vez!

 

Não me chame mais uma vez

Pode ser que eu não resista

A saudade dos teus braços

Poderá me arrastar até você

A falta do seu olhar apagou a luz dos meus olhos

A ausência dos seus beijos amargou a minha boca

E não mais tendo seu ombro para recostar

Eu não encontrei mais descanso

A vida é exatamente o que dela fazemos

Mas, às vezes, caímos em armadilhas

E nos distanciamos tanto assim

E o longe se instala em nossa vida

Sempre é hora de retomarmos as rédeas

E darmos novo rumo ao tempo

Antes que seja tarde demais

Por isso, não me chame mais uma vez

Não me diga de novo “venha…”

Pode ser que eu não resista…