Da depressão

Quero ser forte o bastante para enfrentar as dificuldades do meu caminho, sem me tornar tão injusto a ponto de ignorar a dor das outras pessoas. Quero viver com plenitude cada momento que me ofereça conforto, sem deixar de dar a devida atenção às pequenas coisas da vida ou de ser grato por tudo que já me aconteceu de bom. Quero urgência na realização dos meus sonhos, sem que para isso eu venha a me transformar num ser egoísta e capaz de destruir os sonhos alheios só para atingir os meus objetivos. Quero que o amor seja o centro do meu universo, mas também quero que o meu universo seja o centro do amor de alguém. A paz interior se resume na arte de ser feliz e permitir que a nossa felicidade se espalhe por onde quer que a gente passe. Quero fazer do tempo o meu principal aliado, pois a vida é como uma linda poesia que se escreve um dia após o outro – por mais que seja bela, ela sempre há de terminar num esperado derradeiro e inevitável ponto final. (Coach Bueno)

 

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Esse rapaz – Roberto Bueno, mais conhecido como Coach Bueno – aparentava ter a vida que milhões de brasileiros sonham. Mudou-se para Flórida, nos Estados Unidos,  e lá conseguiu sucesso e dinheiro. Em dólares. Era personal trainer de ricos e famosos, lapidando corpos e angariando amizades. Esse texto acima foi sua última postagem. Outubro de 2019. Depois se suicidou.

Atônitos, todos se perguntaram – por que?

Ele “levantava o astral” de todos, postava mensagens ultra positivas, sempre tinha uma palavra para animar as pessoas. Cuidou de tantos, mas quem cuidou dele?

Essa é a triste realidade da depressão: poucas pessoas entendem a doença e menos pessoas ainda conseguem lidar com a situação e dar a assistência e o suporte que o deprimido necessita. Há muita depressão por aí que sequer é notada pela própria família do doente. Só quando chega nos últimos degraus da doença.

Sim, a depressão é uma doença. Não só psíquica. Mas física. O doente simplesmente não consegue sair sozinho. Necessita ajuda médica – de psiquiatra, medicamentos, apoio familiar e mesmo psicoterapia. Não sou da área, falo como observadora.

Justamente o apoio familiar é o que costuma faltar. No início, sem entender o que está acontecendo, os familiares passam a acusar o deprimido de estar desanimado, preguiçoso e coisas assim. Quando ele desaba, começam as besteiras – reza que passa, você precisa se animar, você precisa reagir… como se dependesse da vontade dele superar a crise.

Quando quase tudo está perdido, entendem o que está acontecendo e o levam ao médico. Começa o tratamento. A família respira aliviada – agora vai!, dizem todos.

Vai, vai se matar. Porque assim que começa a reagir aos remédios e tomar as rédeas da vontade, ainda se debatendo num buraco negro, vendo um horizonte que é do tamanho da boca do buraco, acredita que a única saída é morrer – e criou energia suficiente para isso.

Como o mundo está despreparado para lidar com a depressão! Deveria existir curso para as famílias dos deprimidos entenderem o que é isso e do que ele precisa.

A começar de vigilância – isso mesmo, mais que companhia, vigilância – 24 horas por dia, sete dias por semana.

Não é companhia para ver tv, conversar, nada. Apenas alguém “de olho” no doente.

E muito carinho, muita atenção, na forma de cuidados – mantendo-o alimentado, higienizado, acordado e prestando atenção em suas reações. E, quando começar a reagir, mais atenção ainda. É hora de convencê-lo a sair ao ar livre, caminhar um pouco, mas sem forçá-lo a nada.

É complicado? É. É difícil? É. É massacrante para quem fica nessa função? É.

Mas é a única forma de trazer de novo à vida quem afundou na depressão.

E, no dia em, já recuperado, ele voltar a sorrir, todo o esforço terá sido recompensado.

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