Dia de poesia – Miguel Carlos Vitaliano – Esperança

Quando o primeiro frio se aproximava

    ela me deu um cobertor e disse

          que viria me aquecer.

          Eu fiquei esperando,

    mas o primeiro frio chegou

              e ela não veio.

 

          E estava por vir o segundo frio

quando ela ligou pedindo para esperá-la.

                Botei lenha na lareira

                 e aqueci chocolate,

mas o cheiro bom da saudade que pairava no ar

       me fez entender que ela não viria.

 

            No frio daquele ano,

                  o terceiro,

        eu pedi que ela viesse.

          Prometeu que sim.

       Comprei vinho do bom

             e discos de jazz,

           mas, mais uma vez,

            ela se fez ausente.

 

Quando o inverno do quarto ano chegou

                    não nos falamos.

              Uma réstia de esperança

             botou-me frente à janela

               espiando o horizonte

          pensando que, talvez, ela

       pudesse me fazer uma surpresa.

               Mas nada aconteceu.

 

    Agora, o quinto frio se prenuncia.

   Vez em quando olho pro cobertor

                 que ela me deu e,

         com uma certa apreensão,

espio a esperança pela fresta da janela.

 

 

 

 

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