Beatriz

Noite adiantada, encerrando expediente de repente escuto a música. Corro procurá-la no YouTube. Fecho os olhos e volto no tempo mais de trinta anos. E percebo que algumas vezes fui feliz. Muito feliz.

Só compensa voltar ao passado se for para lembrarmos as horas felizes, gratificantes, as pessoas maravilhosas que estiveram conosco, ainda que tenham ficado, por qualquer motivo, na névoa do que passou. Lembranças esmaecidas mas que trazem prazer quando ressurgem.

E, uma das formas que mais me trazem o passado que gosto de ter por perto, é exatamente ouvindo músicas. Minha vida tem sua própria trilha sonora. As pessoas que amei se transformaram em músicas. Os acontecimentos que me marcaram se tornaram sons.

E, de repente, ouço Beatriz. Da trilha sonora da peça Circo Místico, letra do Chico Buarque e música de Edu Lobo.

Lembranças tão vívidas de quem já partiu. Sons que sopraram cinzas da memória e trouxeram recordações de tempos felizes.

Viver é isso: esquecer o que machucou e, de vez em quando, recordar o que nos alegrou um dia.

Porque na nossa vida tudo passa. O tempo, que leva tudo de ruim embora, também leva o bom…

E fica a saudade, e ficam as lembranças, despertadas subitamente por um som, uma canção, um toque, uma voz, um cheiro…

Por isso a vida vale a pena – somos capazes de experimentar a felicidade e depois viver das migalhas de suas lembranças…

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