Mês: março 2021
Escola
As escolas começaram com um homem embaixo de uma árvore, que não sabia que era professor, discutindo suas percepções com uns poucos que não sabiam que eram alunos.(Louis Kahn)
Interessante essa ideia da origem da escola – e do professor e do aluno.
Em que momento surgiu a escola, ou a ideia de escola, se, desde o primeiro momento da vida se começa a aprender – e há alguém a nos ensinar?
Ou escola é só aquela formal, quando o professor se propõe, como missão de vida, a ensinar a vários alunos?
Todos somos alunos e somos professores nessa vida.
A mãe é a primeira e grande mestra. Praticamente ensina ao filho, desde seu nascimento, tudo o que ele precisa saber para viver nesse mundo hostil fora de seu útero.
Então já nascemos alunos.
Mas ensinamos à mãe o que é o amor de um filho, o que é a alegria de um lar. Daí nos tornamos professores.
Os irmãos se ensinam. Tudo. Desde amizade, camaradagem, agressão e defesa pessoal, até as mais difíceis equações da matemática.
Entre irmãos somos professores e alunos.
A pessoa mais simples, com menos estudo possível, poderá ser sábia, e nos dar grandes lições de vida e resiliência. Mais sabedoria que muito professor titulado.
E tudo o que sabemos, ainda que pouquíssimo, poderemos ensinar àqueles que sabem ainda menos do que nós.
Às vezes um pequeno gesto ensina mais que muita profusão de estudos e palavras complicadas.
Aprendemos com as pessoas, na família, no trabalho, no ponto de ônibus, na praia…
Ensinamos por todos os lugares pelos quais passamos. Podemos até mesmo ensinar o quem nem sabíamos saber.
De que adianta aprender e saber se não for para ensinarmos?
Qual a finalidade de se guardar tudo o que se aprende?
E, quanto mais ensinamos, mais aprendemos.
Quanto mais dividimos o que sabemos, mais adquirimos saber.
Hoje não há mais escolas. Cada um pega seu computador e vai para um canto. Não sabemos se os denominados alunos estão aprendendo. Só avaliaremos essa situação daqui uma década ou duas, quando esses alunos forem os profissionais de amanhã.
Mas aquele homem, aquele primeiro homem que resolveu formalmente dividir suas dúvidas com seus amigos, estava personificando a mais nobre ação que um ser pode desenvolver: ensinar.
Poesia da casa – Lua e mar

Vejo a lua como se fosse a primeira vez Não importa quantas noites já a vi Ela chega pálida, tímida, despercebida Chega no final da tarde para não se atrasar E ali fica, tão quieta, esperando o anoitecer Quando então, soberana, domina o firmamento E nos olha, divertida, em esplêndido brilho. Ou nem vem, resolve ir amar em outro canto E nos deixa em noite escura sem brilhar E apenas a imaginamos, ao olharmos para o céu Sabendo que ela existe, está em algum lugar É sempre uma primeira vez todas as noites A grata surpresa de poder ver a lua. Vejo o mar como se fosse a primeira vez Não importa quantas vezes eu já o vi Sempre cantando em constante ondular Vem tão manso em suas águas transparentes Esperando o carinho de um mergulho Quando então, poderoso, arrasta e traz de volta E nos olha, divertido, em esplêndido azul-mar Ou sossega, e acalma suas ondas E nos deixa abandonados sem brincar De repente, se levanta, entediado, e nos leva E nos traz, em seu louco balançar, É sempre uma primeira vez todas as vezes A grata surpresa de poder ver o mar. E quando, na noite, em puro encanto, ela nua Prateia as águas no rastro do luar A maré, apaixonada, então recua, Dando espaço para todo esse brilhar, Penso na alegria de ser sua Como marca desse nosso intenso amar: Deixe-me, meu amor, ser sua lua E seja você, para sempre, o meu mar (As fotos que ilustram os posts são retiradas de bancos de imagem do google, salvo se a autoria estiver anotada na página)
Dai-me paciência, Senhor!

Fui marcar passagens intermunicipais previamente adquiridas. Pedi à atendente os horários, para anotar as viagens de ida-e-volta, com ida dia 24 e volta dia 26.
Depois de mais de vinte minutos de enrolação, ela avisou que não havia mais passagens para o dia 24. Se poderia ser para o dia 23.
Eu não podia antecipar minha ida por compromissos assumidos. Então pedi se havia vaga no carro da madrugada do dia 25, chegando, ao meu destino, no amanhecer. Tudo resolvido, depois de uns 50 ou 55 minutos (isso porque tenho cadastro e o computador consegue preencher tudo automaticamente, exceto a capacidade de raciocínio da infeliz), ela me entregou a passagem de ida.
E avisou – “vamos à passagem de volta, é para o dia 24, certo?”
Só fiquei olhando. Ela estava séria.
Então respondi “Sim, moça, vou no dia 25 e volto no dia 24. Se você me explicar como conseguirei isso”.
E ela: “mas a senhora falou que queria uma passagem para o dia 24.” Achei surreal a lógica da criatura para resolver a questão das datas.
Quase uma hora depois ela conseguiu me falar que não havia passagem para o dia 26. Então falei que poderia ser no dia 27. Aí foi rápido: em 40 minutos ela conseguiu expedir os bilhetes.
E se eu falasse alguma coisa ela já estava com a resposta pronta: “Isso é por causa do decreto”. Pelas forças do Universo, será que ela alguma ideia do que é um decreto? E qual a interferência de um decreto no balcão de vender passagens?
Pois é… dão um computador a uma pessoa que deve ter dois neurônio a mais do que um cavalo, apenas para conseguir andar sem fazer cocô ao mesmo tempo, mas que não tem a menor noção do que está fazendo.
Tantas pessoas desempregadas. Tantas pessoas com preparo, raciocínio, compromisso com a empresa, vontade de trabalhar e estão desempregadas, e você sendo atendida por uma criatura dessas.
Pandemia, pandemônio, incompetência, apadrinhamento ou o quê?
Talvez eu tenha saído no lucro – consegui MARCAR as passagens, que já estavam compradas, em praticamente duas horas… imagine essa pessoa no balcão no tempo em que os atendentes eram alfabetizados e as passagens preenchidas à mão…
(As fotos que ilustram os posts são retiradas de bancos de imagem do google, salvo se a autoria estiver anotada na página)
Memória – Um ano atrás – Texto de Kitty O’Meara – No tempo da pandemia
E as pessoas ficaram em casa
E ele leu livros e ouviu
E ele descansou e fez exercícios
E ele fez arte e tocou
E ele aprendeu novas maneiras de ser
E ele parou
E ele ouviu mais profundamente
Alguém meditou
Alguém orou
Alguém estava dançando
Alguém encontrou sua sombra
E as pessoas começaram a pensar de forma diferente
E pessoas foram curadas.
E na ausência de pessoas que viviam
De maneiras ignorantes
perigosas
sem sentido e sem coração,
Até a terra começou a se curar
E quando o perigo acabou
E as pessoas se viram
Eles lamentaram os mortos
E eles fizeram novas escolhas
E eles sonhavam com novas visões
E eles criaram novas formas de viver
E elas curaram completamente a terra
Assim como elas foram curadas.
(In Time of Pandemic, março de 2020, blog “The Daily Round”)
Outono, hoje

Amanhece outono com sua luz diferente
Foi-se o verão, não um verão vivido
Não um verão alegre, de praia e sol
Mas um triste verão de solidão,
De perdas, mortes e muita aflição
Não, não tivemos um verão dessa vez
Mas o equinócio, cumprindo seu papel,
Chegou para pôr fim a esse verão atípico.
Sentiremos sua falta? Por certo não
Sentiremos saudade? Talvez de nós mesmos
Do que fomos em insegurança nesse tempo
Do que sentimos em solidão nesse isolamento
Sentiremos, sim, saudade, de não termos vivido
Que o outono, com suas manhãs frias,
Com os tons dourados e marrons da natureza
No momento em que a natureza desacelera
Traga nova realidade, devolva a esperança e o sonho
Sejamos a humanidade que resiste, sobrevive
Outono, a estação em que a natureza se recolhe
Estaremos em nosso triste recolhimento
Aguardando melhores tempos, as boas novas
Que há de nos trazer a vida
Antes que venha solstício do inverno…

(As fotos que ilustram os posts são retiradas de bancos de imagem do google, salvo se a autoria estiver anotada na página)