Devaneios

 

Saudade igual farol – engana o mar / Imita o sol / Saudade sal e dor que o vento traz (Chico Cesar)

                                         

Quantas vezes se deseja ter o poder de se tornar invisível. 

Nem que seja por algum tempo, apenas para ficar lá, em paz, sem nada nem ninguém perturbar. 

Ou se deseja o poder de voar. Para ir além do possível. Lá, onde ninguém nos encontraria. 

Algumas vezes o mundo ideal é feito apenas de silêncio. Um profundo silêncio, tão denso que pode ser visto ou tão silencioso que pode ser ouvido. O contrário da balbúrdia. 

De vez em quando o ideal é um mundo verde. Como um bosque. Fresco, úmido, onde só se ouve o vento nas folhas. 

Ou então um mundo azul. Um imenso azul, que mistura o céu e o mar, e ficar ali, silenciosamente sendo ninado ao sabor do movimento da água. 

Um pedaço de mim não aceita a convivência, a humanidade, as convenções, os barulhos, a mistura de cores e formas. 

Tenho de lutar para aceitar o outro. Obrigar-me a sorrir, conversar, demonstrar interesse pelo mundo e pelas pessoas. 

Porque não é o meu natural. 

Queria morar numa ilha. De preferência no farol.

                         

Como uma sentinelle d’Iroise. 

Absolutamente sozinha. 

Nunca mais ler jornal, não saber da maldade dos homens, das misérias do mundo. 

Não sei porque sou assim.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s