Jorge Luis Borges

No puedo darte soluciones para todos los problemas de la vida, no tengo respuesta para tus dudas o temores, pero puedo escucharte y compartirlo contigo. (JLBorges)

 

 

Há várias formas pelas quais podemos deixar marcas nas pessoas. Ou mesmo ser instrumento na mudança de rumo de sua vida. Para o bem ou para o mal. Prefiro aquelas que me nortearam para o bem. 

Não sou pessoa de natureza invejosa, não reparo nas posses alheias, mas algo me chama atenção – e acho que desperta a inveja boa: a cultura. A inveja de querer também ter essa cultura, não aquela culturazinha de porta de botequim nem cultura de almanaque. Mas cultura de verdade. 

Assim, num querido mestre que tem sólida cultura, objeto de sincera admiração e até hoje de devotada amizade, o qual me influenciou involuntariamente na escolha da carreira profissional de minha vida, descobri um autor que, de sem atrativos, passou a me fascinar: Jorge Luis Borges. 

Em criança tinha a sensação que não existia. Sempre me considerei personagem de um romance ou parte do sonho de alguém. Não me considerava uma pessoa real. 

Talvez analistas e psiquiatras se pudessem deliciar com isso, mas nunca precisei de ajuda. Só temia o dia que o livro acabasse ou o sonhador acordasse – eu deixaria de existir? Teria vida autônoma? Nunca soube, isso nunca aconteceu. 

Também quando descobri que era real, tinha vida própria não foi choque nem decepção, até ajudou, porque já sabia que não tinha nas mãos as rédeas de meu próprio destino, meu papel é remar, não segurar o leme da vida. 

Pois não é que um dia esse professor (nem me lembro a que propósito surgiu o assunto) comentou o conto As Ruínas Circulares, exatamente do Borges, onde o personagem na verdade é parte do sonho de alguém.

 Já adulta, universitária, foi um estalo: SOU EU! 

E fui em busca do conto. Maravilhoso. Marcante. Mostra a condição humana no seu mais puro existir. 

O que somos, se é que somos algo. 

Os seres que precisamos para existir. E a perdição de ter a própria existência condicionada à existência do outro. 

E, de quebra, acabei lendo quase toda a obra de Borges. Hoje um de meus prediletos.

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