Hoje é dia de Poesia – Canção

 

Canção

(Cecília Meireles)

 

Pus o meu sonho num navio

e o navio em cima do mar;

– depois, abri o mar com as mãos,

para o meu sonho naufragar

 

Minhas mãos ainda estão molhadas

do azul das ondas entreabertas,

e a cor que escorre de meus dedos

colore as areias desertas.

 

O vento vem vindo de longe,

a noite se curva de frio;

debaixo da água vai morrendo

meu sonho, dentro de um navio…

 

Chorarei quanto for preciso,

para fazer com que o mar cresça,

e o meu navio chegue ao fundo

e o meu sonho desapareça.

 

Depois, tudo estará perfeito;

praia lisa, águas ordenadas,

meus olhos secos como pedras

e as minhas duas mãos quebradas

Tempo

Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: Nem ele me persegue, nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra. (Mário Lago)

 

Há tantos mistérios na vida…

Por exemplo: em que momento, na noite que antecede o dia do aniversário, que se fica mais velho?

Vai-se dormir com uma idade e se acorda no dia seguinte com outra idade. Quando acontece essa nova idade?

Uma noite se vai dormir adolescente, com dezessete anos, no dia seguinte se acorda adulto, responsável, passível de prisão, podendo tirar a habilitação. Mágica essa noite que antecede o dia do aniversário, certo?

E não tem volta.

Um dia se vai dormir jovem com vinte e nove anos e no dia seguinte se amanhece com trinta anos – terrível para as mulheres.

O mesmo quando se passa dos trinta e nove para os quarenta anos – e parece que todo mundo fica sabendo, porque em todo lugar se começa a ser tratada por senhora…

Em algum lugar o tempo tem de reverter, porque não dá para ir sempre adiante, não existe isso. Será que algum dia alcançaremos esse ângulo que dá o caminho de volta, e os aniversários serão contados para trás – com reversão física, na aparência, recuperando a juventude ida e perdida?

Ou de repente saímos desse círculo então estaremos sempre caminhando em linha reta até atingir um fim?

E o pior é esse seguir adiante, envelhecendo um pouco a cada dia e um ano na fatídica noite que traz o dia do aniversário?

E hoje me pergunto: onde e quando perdi a alegria da véspera do aniversário, e ainda mais aquela do próprio dia, que, se eu pudesse, certamente eu o tiraria do calendário?

Ficou esquecida em algum canto da vida, caída, por certo, do pacote das ilusões, que se foram perdendo ao longo de todos esses anos.

Vou pular a fogueira, e você?

Eu pedi numa oração / Ao querido São João

Que me desse um matrimonio / São João disse que não

São João disse que não / Isto é lá com Santo Antônio …

E junho chegou. 

Festa para todo lado. No fundo o brasileiro gosta mesmo é dessas festas populares, quermesse na praça da Matriz, tudo genuíno, tudo de uma singeleza histórica ímpar. 

Penso que todos conhecem essas típicas festas juninas, homenageando os três santos do mês: primeiro o casamenteiro Santo Antonio, que abre as festas no dia 13; depois São João, com a noite mais longa do ano, no dia 24 e finalmente vem São Pedro, no dia 29, fechando o mês e as festas com suas chaves.

Para quem é, mora, foi ou morou na roça, tudo isso tem um sabor especial. 

Lá na roça a festa começa bem antes. 

Escolhe-se o local, o terreno é aplainado – sem dança não é festa junina. 

Faz-se o buraco da fogueira, que fogueira que se preza, fogueira de verdade não é do chão para cima, ela começa a ser montada lá no fundo e é de dentro do buraco que sai que sai a armação que sustentará o fogo. 

Estende-se o oleado – a não ser que já exista um bom barracão, daqueles de guardar tratores e máquinas, que então é desocupado e varrido, e nesse lugar ficará a mesa. 

Não é uma mesa. Nem uma mesinha. 

É uma respeitável mesa, compridíssima – geralmente uns quatro metros pelo menos, e é feita com pranchas de madeira sobre cavaletes, num improviso que se repete em todas as festas. 

Cadeiras ao redor, algumas mesas de apoio, tudo simples, tudo bonito, enfeitado com flores e ramos, sem maiores gastos. 

As lâmpadas – ou lamparinas de querosene, depende das instalações, são providenciadas. 

O mastro. 

A madeira para a fogueira é cortada e durante algum tempo os homens terão uma folga. A não se que queiram montar balões. 

As crianças recebem a tarefa de recortar e colar no barbante milhares de bandeirinhas coloridas, que depois os homens estenderão e pregarão sobre o local da festa.

 As mulheres, na cozinha, preparam a comida. E que comida! E que fartura! 

Um bom caldo – de preferência uma canja feita com o galo velho do terreiro, porque o frio é intenso. 

E além de bolachinhas diversas, pé-de-moleque, paçoca, cuscuz, milho assado, frangos (que nunca faltam na roça), arroz-doce, canjica, curau, pipoca, pamonha, bolo de milho, amendoim torrado, maçã caramelizada – a deliciosa maçã do amor, pinhão e, o que não pode faltar, o quentão, e, modernidade, o vinho quente com especiarias. 

As roupas são preparadas com todo o cuidado. 

A fogueira é acesa um pouco antes para estar bonita quando os convidados chegarem. 

E chega a festa. A vizinhança vai chegando, muitos pratos são trazidos para aumentarem a fartura à mesa, casais vão se formando e outros, já vem formados, a maioria se separa: homens para um lado, conversando assuntos da roça e mulheres do outro, trocando receitas e olhando as crianças. 

A festa começa com a reza do terço – geralmente o padre já está no local, de batina e tudo. 

Depois o mastro é levantado. Começa a diversão. O Santo do dia é homenageado. 

E então entra em cena o sanfoneiro. Não existe festa junina sem sanfoneiro. Podem inventar televisão, vídeo-cassete, DVD, vitrola, toca-discos, CD Player, Home Theater, nada anima uma autêntica festa junina. Mas, no primeiro chorado do acordeom, o sanfoneiro põe fogo no recinto. 

As músicas – ainda que sempre as mesmas, divertem e todos conhecem as letras. 

Muitas vezes tem o casamento, geralmente o noivo só entra no recinto depois da noiva e com o pai e os irmãos desta armados com espingardas escoltando o “feliz” nubente. 

Dança-se a quadrilha – arremedo dos minuetos franceses de outros séculos, porém mais divertida. 

É balão subindo, é criança correndo com bombinhas para se assustarem na brincadeira, é rojão quase derrubando os dorminhocos das cadeiras. 

No final tem padre dançando, idosos cantando, todos se divertindo numa confraternização saudável e tradicional. 

Nestas ocasiões fica mais que comprovado que alegria é contagiante. 

E, depois de bastante quentão servido, tem outra diversão: pular a fogueira. Em criança eu ficava apavorada ao ver os homens dando a corridinha e saltando por sobre o fogo. 

Depois de grande, quando talvez até arriscasse eu mesma pular uma fogueira, não tem mais fogueira de São João, nem de São Pedro, nem de Santo Antonio. 

Mas um dia – quem sabe – encontro os três juntos lá para onde eu for, e aí pularei quantas fogueiras quiser.

 

 

Podemos ser amigos simplesmente

Podemos ser amigos simplesmente, coisas de amor nunca mais. Amores do passado no presente repetem velhos temas tão banais. Ressentimentos passam como o vento, são coisas do momento, são chuvas de verão.         

Trazer uma aflição dentro do peito é da vida um defeito que se cura com a razão.   

Estranha no meu peito, estranha na minh’alma, agora eu vivo em calma: não te desejo mais.     

Podemos ser amigos simplesmente, amigos simplesmente nada mais.  (Chuvas de verão – Fernando Lobo)

Lindas a poesia e a sabedoria da letra dessa música, não é? Principalmente se na voz maravilhosa da insuperável e inigualável Maysa… para quem quiser conferir, essa e outras:

http://www.youtube.com/watch?v=sPrs9P1A1s4&eurl=http://blogdopromotor.zip.net/&feature=player_embedded

 

Atire a primeira pedra quem nunca quis reatar um relacionamento acabado.

E atire a segunda pedra quem nunca foi procurado por em ex para um revival.

Mas não adianta, porque o que acabou está morto, enterrado e não tem volta. Houvesse a mínima chance de dar certo,continuar, e não teria acabado.

É difícil muitas vezes por a pedra final e dizer: FIM, ACABOU.

Mas quando conseguimos dar esse passo, que alívio para a alma, para o coração, para a angústia.

A pior hora de um relacionamento é aquela em que sabemos, em que vemos que a relação precisa acabar e não temos coragem de matá-la.

Depois que ultrapassamos a linha do final, aí tudo fica fácil.

Mas muitos caem na tentação de um retorno, um encontro para lembrar os velhos tempos…

Acontece que o ser humano tem uma estranha capacidade de filtrar ao contrário, isto é, apagar do passado o que foi ruim e reter as lembranças boas. E aí começa o grande problema: um reencontro poderá desencadear não as coisas boas – que não eram tão importantes, não impediram o fim – mas as mágoas, as cobranças, tudo de ruim que levou ao fim do relacionamento.

E o gosto amargo será mais intenso do que na primeira separação, porque ainda por cima haverá o auto-desprezo pela fraqueza de não ter se mantido firme e falado não. Aí você pensa: porque fui aceitar essa volta, como sou fraco, podia passar sem esta, era certeza que não daria certo, se da primeira vez com todo o encanto não deu…

Porque a paixão, aquela paixão desenfreada, pura adrenalina, só acontece uma vez, é como água de rio: só naquele momento, porque depois já é outra água. A paixão só une o casal uma vez, desperdiçou, não tem volta.

É isso aí, fiquemos com o compositor, sem mágoas, sem cobranças: Podemos ser amigos simplesmente, coisas de amor nunca mais. Podemos ser amigos simplesmente, amigos, simplesmente, nada mais.

Viver

Caminante no hay camino, se hace camino al andar…

 

Viver intensamente, seguir adiante…

Mas como seguir se tantas coisas nos prendem e nos fazem permanecer no mesmo lugar na vida por tanto tempo, às vezes quase a vida inteira?

Esse é o truque de viver: seguir!

Não somos vegetais com raízes que têm que ficar sempre no mesmo lugar, nem grandes pedras ou montanhas que não se movem jamais.

Fomos feitos para seguir…

Romper com tudo que nos prende – e geralmente são fios mais finos que teias de aranha, mas nos acomodamos e nos deixamos prender pelo medo de enfrentar o que nos espera fora desse mundinho criado, conhecido e aparentemente inofensivo.

Depois que temos de coragem de ir, pela primeira vez, vemos que o mundo lá fora não é tão ameaçador assim, e – principalmente, oh felicidade! – que podemos ir.

A primeira vez é sempre marcante. Seja o primeiro dia de aula na nova escola, o primeiro dia de aula na faculdade, o primeiro dia do primeiro emprego, o primeiro dia no novo emprego, a primeira viagem sozinha de ônibus, de avião, de navio, mas primeira vez – e isso assusta.

Desde muito cedo temos que aprender a lidar com nossos medos. E vamos superando os mais óbvios – mas sempre ficam uns medinhos no fundo da alma que tanto atrapalham alguns quanto paralisam outros.

Não é fácil pela primeira vez sozinha pegar um avião e ir para longe, para estudar ou mesmo fazer turismo – mas sozinha mesmo, não é em grupo nem excursão, nem com desconhecidos. É totalmente só.

Depois que se vai a primeira vez parece que a cor da vida muda. Crescemos. E descobrimos que podemos tudo.

Vencer a primeira vez é a chave para realizar o truque de seguir.

Despir-se de preconceitos, idéias herdadas e tão arraigadas que fica difícil separar o que realmente pensamos ou o que os outros pensaram por nós.

Mudar de dentro para fora. Mudar por dentro tudo o que for preciso para assumirmos nossa vida, nosso querer, nossa personalidade. E daí que a família inteira joga tênis, se eu prefiro jogar futebol? Se a família inteira é católica se me encontro no seicho no ie; se todos estudaram medicina e eu prefiro arquitetura? Se todos se casam com pompa e circunstância e eu prefiro simplesmente viver junto com outra pessoa sem documentar o amor? Se minha bisavó fazia macarrão em casa e eu prefiro comer miojo?

Esses e outros fios das teias têm que ser rompidos, sem que isso implique em romper os laços familiares – esses, sim, são eternos e vigorosos. E mesmo quando eu marcho em outro passo porque escuto outro tambor eu mereço o respeito e apreço de todos. Respeitar as escolhas e as diferenças é tolerar, é amar incondicionalmente.

E muitas vezes exigimos esse respeito nas nossas escolhas mas não somos capazes de suportar a escolha do outro que o diferencia de nós, que o leva a dançar outra música porque não escuta a mesma que nós.

Então temos que primeiro nos reformular para aceitar os outros como são, e então exigirmos que nossas opções sejam respeitadas. E isso também é seguir, porque a partir desse momento poderemos viver plenamente nossa vida, sem interferência das imposições de terceiros.

Por que trilhar caminhos já tão batidos e desgastados, por tantos caminhado, se posso fazer meu próprio caminho, ao caminhar minha vida dia após dia?

Amar os outros? Sim, é preciso. Mas o mais importante na vida e SE amar.

E concluo: viver é maravilhoso. E pode ser melhor ainda. Depende de nós.

(05/02/09)

De namorar

Namoradas e namorados,

Tão enamorados…

Seguem de mãos dadas

Olhos nos olhos

Pensando no que virá

O futuro em comum

Começando com um sonoro

Felizes para sempre!!!!!

Namoradas e namorados,

Sempre tão enamorados

Não sabem que o tempo

Leva rápido a juventude

Chegará a idade da responsabilidade

Até mesmo se esquecerão que

Tudo começou com um

Felizes para sempre!!!!!!!!!!!!!!!!!

Aproveitem, namoradas

Aproveitem, namorados

Que tempo melhor não há

Namorar é intensidade

É leveza, é diversão

É apaixonar-se – 

a melhor parte da vida…

Aproveitem, namorem

Namorem muito, namorem bastante

E mesmo assim, um dia sentirão falta

De simplesmente namorar

Estar junto sem compromisso

Sem boletos nem cobranças

Vivendo sem amanhã

No embalo da paixão