Considerações sobre o nada

Escrevi esse texto em 14.04.2010. Mas continua tão atual que merece ser publicado hoje, aqui:

 

Aventurar-se causa ansiedade, mas deixar de arriscar-se é perder a si mesmo. SørenKierkegaard

 

Não se trata de niilismo, não estou em fase Nietzsche, Weber, Heidegger, Sartre ou Camus.

Apenas quero não-pensar. E o nada pode ser instigante, pode ser um desafio. Não é sobre esse nada que penso hoje – é simplesmente sobre o nada nada.

Depois de uma semana que se pode dizer terribilis – com direito a doenças, internações, coma, piora, morte, melhora etc. tudo com membros da família, sinto-me como um barco que enfrentou águas revoltas à noite e agora, ao amanhecer, encontra mar calmo e céu azul…

Terremoto na China, hoje. São tantos terremotos nos últimos tempos que já acostumamos com a idéia e não nos sentimos chocados com a tragédia alheia. Isso não é bom sinal.

A chuva fez muitas vítimas e muito estrago no Rio. Como fizera no ano passado em Santa Catarina. E tantas catástrofes são imputadas ao tempo, ao clima, OK. Mas pergunto, e o Morro do Bumba? Acho que o tempo não tem nada a ver com isso. A chuva só adiantou a tragédia, porque se o gás metano que ali havia explodisse seria um incêndio de proporções dantescas. E o poder público, que, mesmo avisado, fez ruas e benfeitorias sobre uma bomba que mais cedo ou mais tarde seria uma tragédia???? É brincar com a vida alheia.

Usei acima o termo dantesco indicando algo horrível, maléfico. Pergunto-me o porquê.

Em geral falamos dantesco sobre algo muito, muito, intensamente ruim, como se a obra de Dante se resumisse ao inferno.

Esse inferno descrito por Dante que tomou conta do imaginário popular serve de modelo para todos os infernos descritos na era pós-Dante.

Até no filme Amor Além da Vida eu vi o inferno ali mostrado como se fosse inspirado em Dante (talvez tenha sido mesmo, não tive a curiosidade de ir pesquisar).

É claro que o diabo inspira mais medo que Deus ao povo em geral, e sempre nos lembramos mais do que tememos, detestamos ou desprezamos do que daquilo que queremos desejamos ou amamos.

Mas ficar usando o termo dantesco para o horrível reduz a obra do grande poeta a uma parte ínfima.

Mesmo porque na mesma obra há o paraíso dantesco, o poeta fica face a face com Deus…

E mais, a belíssima, poética e agradável língua italiana moderna pode ser considerada italiano dantesco, uma vez que construída – para a unificação da Itália, sobre a obra de Dante, que a escreveu não em latim, como era comum aos poetas de então, mas em um italiano castiço, porque considerava pernóstico o uso do latim…

Mas, mudando de assunto:

Descobriram a pólvora e inventaram a roda esta semana: cientistas afirmam que estresse e ansiedade estão ligados à depressão. Oh, que novidade!!!!

Jornais publicam que comandante de igreja evangélica impõe meta de arrecadação mesmo durante a crise e ensina seus subordinados como conseguirem o aumento das “doações”. Oh, outra novidade!!!!!

Nos mundos artístico e esportivo continuam as cirandas de noivados e casamentos desfeitos. Esses casais entendem muito de separação, de casamento não entendem nada.

E assim os jornais, quando não têm assunto, começam a publicar esses nadas. Exatamente o que eu fiz hoje por aqui.

 

Um comentário em “Considerações sobre o nada

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