No azul do céu

É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol, / Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz / E corre um silêncio pela erva fora. (Fernando Pessoa)

 

Céu muito azul, fim de outono, anúncios de inverno. Folhas ainda verdes, chuvas temporãs ajudando a natureza.

Nada muda para a humana percepção. Em um de repente sei que o céu se cobrirá de cinza, sei que ventos violentos surgirão não se sabe de onde vindos, as folhas não estarão mais nas árvores, mas cobrirão o chão.

Mas não poderei ver os detalhes dessas mudanças, a cada segundo se preparando para nos surpreender.

Vemos o antes e o depois. Não temos capacidade para escrutinar momento a momento o que se passa em torno de nós.

Um dia, sem que nos déssemos conta, ficamos adultos, responsáveis por nós mesmos, nossa felicidade, nosso bem-estar e nosso sustento. E, ainda mais de repente, nos tornamos responsáveis por tudo de nossos filhos, tão pequenos, tão dependentes.

E quando olhamos novamente, eles já se tornaram adultos, tomaram as rédeas da própria vida e se foram. E nos tornamos responsáveis então pelos nossos pais, que eram tão fortes, tão determinados, tão independentes. Apenas a nossos olhos.

E os ventos se vão, a chuva cessa e novas folhas nascerão quando vier a primavera.

Quem sabe se ainda estará aqui para ver as flores que virão? E quem conosco ainda estará nessa nova estação?

Mas tenho uma certeza nessa vida: a de que o céu será – quase sempre – lindamente azul.

Um comentário em “No azul do céu

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