Vento e vida

Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que espera…

 

Ouço umas trovas portuguesas – Trovas ao vento – e essa frase de encerramento me faz pensar. Muito. 

Os homens não têm raiz. Literalmente. Mas em sentido figurado as temos. E muitas. 

Nossas raízes nos forçam a permanecermos fiéis a nossos princípios, ligados a nossa família, coerentes com nosso passado. 

Ainda bem. Imaginem um mundo em que os seres humanos fossem como borboletas, nascidos de um anônimo casulo, vivendo soltos pelos ares, sem ponto de partida nem de chegada. 

A vida seria um imenso vácuo.

 Por nossas raízes resistimos. Permanecemos. Somos. 

Podemos oscilar com a força do vento, mas não abandonamos nosso lugar ao sol. Elas nos prendem firmemente no lugar em que devemos ficar, não nos permite desvios. Por isso resistimos. 

E a resistência nos faz fortes. Exatamente como as árvores. 

Quanto mais ventos e tempestades nos açoitam mais fortes elas, as nossas raízes, se tornam. 

Se plantamos uma árvore atrás da montanha, os ventos não a fustigam. Ela cresce protegida e frágil. 

Mas se a plantamos no alto da montanha, onde os ventos são inclementes, suas raízes serão tão fortes para resistir que a tornarão invencível.

Assim somos nós – e serão nossos filhos – se os criarmos como flores de estufa não estarão preparados para a vida, muitas vezes inclemente, muitas vezes violenta.

Mas se os deixarmos suportar os ventos de sua própria existência, eles estarão fortes e armados para viver – serão árvores do ponto mais alto. 

Depende de nós. Apenas.

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