Poesia para o sábado de chuva – Duas Almas

Sábado, carnaval, MUITA chuva e visitas… para não falhar no propósito de postar 100 dias seguidos, mas, também, sem tempo para escrever, preencho o post com uma de minhas poesias favoritas: Duas Almas… que me encanta desde sempre…

Duas Almas

(Alceu Wamozy)

 

Ó tu que vens de longe, ó tu, que vens cansada,

Entra, e, sob esse teto encontrarás carinho:

Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,

Vives sozinha sempre, e nunca foste amada…

 

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada

E a minha alcova tem a tepidez de um ninho,

Entra, ao menos até que as curvas do caminho

Se banhem no esplendor nascente da alvorada.

 

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,

Essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,

Podes partir de novo, ó nômade formosa!

 

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha.

Há de ficar comigo uma saudade tua…

Hás de levar contigo uma saudade minha…  

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